Economia & Negócios

Frio eleva gasto doméstico em até 20%

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Agasalho e meias novas, mais filmes na locadora, remédios, pizza, banho demorado, luzes acesas mais cedo. Com a chegada do inverno, é preciso fazer malabarismos com o orçamento doméstico para conter todos os gastos a mais decorrentes das baixas temperaturas, enquanto a renda familiar permanece a mesma ou é achatada pela inflação.

Esse é o caso do tapeceiro Wellington Fernandes de Oliveira, 33 anos, que vê os gastos da família no inverno aumentarem cerca de 20%. Segundo ele, o custo para manter a casa durante o frio salta de R$ 1.000,00 para mais de R$ 1.200,00. De acordo com o tapeceiro, o que mais pesa no orçamento são as contas de energia elétrica, de água e as compras no supermercado.

A mulher de Oliveira, balconista Andréa Raquel Parolim de Oliveira, 32 anos, conta que é inevitável deixar os dois filhos pequenos - Arthur, de 6 anos, e Heitor, de 3 anos - mais tempo no banho quente.

“Neste mês, a conta de luz quase dobrou. A gente acaba deixando as crianças mais tempo tomando banho na água quente. Além disso, nossos hábitos de consumo alimentar também mudam, e a gente gasta mais comprando massas e biscoitos em detrimento das verduras, que são mais baratas”, conta Andréa.

Por conta dos gastos a mais com os banhos da família, Oliveira se viu obrigado a desativar a banheira de hidromassagem, um dos passatempos preferidos dos dois filhos. “Não teve jeito. A banheira consome muita água quente, além dos jatos”, explica.

Os gastos da família do professor aposentado Reinaldo Santos Figueiredo, 56 anos, também aumentam cerca de 20% com a chegada do inverno. O principal “vilão”, novamente, é a conta de energia elétrica, que chega a aumentar 30% durante os meses de frio. O consumo considerado normal, de cerca de R$ 130,00, ultrapassa os R$ 160,00 na época do inverno.

“Eu não sou muito chegado a banho quente, mas nessa época eu acabo também entrando no esquema”, admite o professor. Outro detalhe para contribuir com a conta mais cara, além do tempo a mais no banho, é a temperatura do chuveiro: quanto mais quente (na opção “inverno”), mais energia consome.

Figueiredo vive com a mulher e um filho, mas recebe visitas quase diárias dos outros filhos, noras e netos. “No total, são de dez a 12 pessoas aqui em casa”, diz. Para ele e a família, o frio é um convite a ficar em casa, assistindo a filmes alugados, comendo pipoca de microondas e deixando as luzes acesas por mais tempo. “Tudo isso colabora para ter um gasto maior de energia elétrica”, declara.

Para agravar o quadro, a tarifa de energia sofreu elevação de 19,55% em abril, índice que está sendo refletido nas contas de luz desde o mês passado. Inevitavelmente, a alta no valor da energia “contamina” uma rede de itens, desde o pão francês - geralmente assado em forno elétrico - aos “inofensivos” minutos que demoram para uma pipoca de microondas ficar pronta.

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