Economia & Negócios

Hábitos do inverno custam mais caro

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Durante o inverno, não é só a energia elétrica a responsável pelo aumento nas contas domésticas. Assim como em outros itens, a alta na conta de energia é apenas mais um sintoma da mudança de hábitos de consumo própria dos dias frios. Com um agravante: neste ano, o inverno - que começa no próximo dia 21 - promete ser mais rigoroso que o dos últimos anos.

“Temos de comprar meias, abrigos, e as roupas de inverno são bem mais caras que as de verão”, diz a balconista Andréa Raquel Parolim de Oliveira, 32 anos. Além disso, a alimentação dela, do marido e dos dois filhos pequenos - de 6 e 3 anos - influencia no orçamento na medida em que verduras, frutas e legumes vão perdendo espaço para mais bolachas, pães, massas e comidas com molho. “A gente diminui as verduras, que são mais baratas. Para economizar não deixo as crianças tomarem banho na banheira”, diz.

O tapeceiro Wellington Fernandes de Oliveira, 33 anos, marido de Andréa, conta que, para evitar expôr os filhos a gripes e resfriados típicos do frio, a saída é programar o lazer da família dentro de casa - o que sai mais caro. “A gente evita de sair com eles no frio e acaba pegando mais filmes na locadora, pedindo uma pizza”, relata.

O professor aposentado Reinaldo Santos Figueiredo, 56 anos, afirma que, por conta do frio e do clima seco do inverno, as doenças respiratórias são inevitáveis - e o jeito é correr para a farmácia. “Eu costumo até brincar que o inverno é ‘época de safra’ dos farmacêuticos”, diz.

Segundo Figueiredo, o aumento dos gastos com gás de cozinha e com supermercado também é conseqüência da mudança de hábitos no inverno. “A gente acaba consumindo mais pratos quentes e gordurosos”, afirma. E acrescenta: “Mesmo no supermercado, a gente opta por outro tipo de produtos, mais caros, como vinho”.

O professor reconhece também que, em época de frio, as vitrines das lojas ficam mais “chamativas”. Por conseqüência, aumentam os gastos com roupas de inverno para a mulher, os filhos e os netos. “O problema é que o ordenado não aumenta na época do inverno”, diz.

Conscientização

Para Wellington Oliveira, a saída para não deixar o inverno com a conta no vermelho é parcelar tudo quanto possível, tentar obter descontos em produtos farmacêuticos e manter os olhos bem abertos com o tempo de banho e as luzes acesas desnecessariamente pela casa. “Se não for assim, o orçamento estoura”, observa.

No caso do professor Figueiredo, o jeito é “bater muito papo” com a família para tentar economizar no que for possível, como a energia elétrica. “Tenho que conversar com minha esposa, com o filho, para consumir menos energia do próprio chuveiro, apagar as luzes”, diz.

Ele admite que, dentro de casa, é necessário fazer um trabalho constante de vigilância para não exceder os gastos. “Uma vez que você fica mais dentro de casa, tem que buscar uma conscientização para economizar”, aconselha Figueiredo.

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Ofurô

Tradição milenar no Japão, o ofurô está ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. A banheira de estilo japonês com água bem quente, às vezes superior a 50º, e ervas aromáticas, é uma maneira elegante de se aquecer nos dias frios, relaxar e, de quebra, obter benefícios à pele, à circulação e a problemas reumáticos. O balde de água fria é o salto no consumo de energia elétrica.

“O ofurô puxa mesmo bastante energia”, diz o comerciante Walter Shigueyuki Hirata, proprietário de uma loja de produtos orientais. De acordo com a publicidade de um fabricante de ofurôs, o consumo de eletricidade equivale ao preço de um cafezinho por vez de uso. Com o cafezinho a uma média de R$ 1,00, vezes 30 dias do mês, vezes duas pessoas, o consumo do ofurô chega a R$ 60,00 mensais.

A opção mais barata - e preferida - é pelo aquecimento a gás, com consumo médio de um botijão de 13 quilos por mês - ou seja, cerca de R$ 30,00. De acordo com Hirata, é possível encontrar ofurôs de R$ 1.000,00 a R$ 1.500,00, dependendo do tamanho. “O tamanho médio é o mais procurado. Não consome tanta água e não gasta tanta energia, ou mesmo gás”, afirma.

Segundo o comerciante, a procura por ofurôs aumenta sensivelmente no frio, inclusive por “ocidentais”. Ele vende, em média, de dois a três ofurôs por mês. “Na época do apagão cheguei a vender mais de 50 ofurôs, e quem tinha o elétrico passou para gás”, diz Hirata.

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