RH & Tendências

Executivos querem distância do estresse

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 6 min

O designer Marcos Shayeb é diretor de produção de uma fábrica no Distrito Industrial em Bauru. Ele, mesmo num cargo privilegiado, começou sua carreira cedo, aos 14 anos e hoje trabalha de dez a 12 horas por dia, às vezes 13 horas, de segunda a sábado.

Durante a semana não dá tempo de fazer muita coisa, mas para aliviar a carga de tensão que se acumula, Shayeb procura os filmes, que assiste em casa. E para ganhar tempo, ao invés da visita à locadora, opta por comprá-los na TV a cabo.

Os esportes “de suar” não são a praia do empresário, que prefere praticar esportes que cansam menos. “O que eu sempre gostei é de reunir os amigos num churrasco. Mas há cinco, seis anos, eu conheci o pessoal do Bauru Jeep Clube e comecei a andar de jipe. Comprei um jipe, montei-o inteiro”, revela e acrescenta que reserva algumas horas do final de semana para cuidar do veículo.

Nesse meio tempo, também comprou uma motocicleta para fazer trilha, mas com um grave acidente com um dos integrantes do grupo, a turma deixou de lado a diversão e até vendeu as motos.

No início deste ano, Shayeb resgatou o aeromodelismo, um hobby dos tempos de menino, que agora pratica com os irmãos e primos que também são executivos e trabalham na mesma fábrica.

Outra prática que adota para fugir do estresse é cuidar das plantas e do jardim pessoalmente. Entretanto, o empresário afirma estar se dedicando menos à terapia.

Independentemente da atividade executada, o empresário aponta que é imprescindível dar vazão ao estresse acumulado. “O final de semana precisa ser mais light para estar renovado na segunda-feira e começar tudo novamente.”

Malhação coletiva

Aos 28 anos, a também designer Kátia Teston trabalha há oito anos e hoje desenvolve projetos, faz atendimento e cuida da equipe de produção de uma empresa de sinalização e comunicação visual de Bauru. Sem horário fixo para trabalhar, ela cumpre uma jornada diária de dez horas, que pode começar antes das 7h ou bem depois das 19h. “Atendo muitos médicos, engenheiros e arquitetos que também têm horários complicados, por isso, procuro me encaixar ao perfil dos clientes”, revela.

Entretanto, quatro vezes por semana, o horário das 19h às 21h está reservado para uma terapia regular que Kátia adotou desde o início do ano: as aulas de Body Balance e Chi-Ball, modalidades desenvolvidas em academia, mas baseadas em princípios da yoga e do tai-chi-chuan.

“Eu resolvi que a atividade física iria fazer parte da minha jornada e o resultado foi impressionante, em três meses eu era outra. A ginástica aumentou meu rendimento e a disposição para trabalhar”, comenta a designer, que tinha dores lombares diárias, resfriados semanais e cólicas mensais. “Acabou tudo”, diz Kátia, que para ficar ainda mais zen, faz aulas de italiano.

Foi realizando um trabalho para a academia que ela descobriu que poderia estender o benefício aos seus funcionários. Afinal, três deles já tinham o hábito de fazer exercícios e viviam de bem com a vida.

“A academia nos solicitou uns cartões de cortesia, que ofereciam uma semana de atividades grátis. Acabei pedindo alguns para oferecer ao pessoal da produção e, dias depois, todos eram alunos de lá, pois resolvemos bancar os exercícios para o pessoal. Um deles sofria de bronquite e hoje já não tem mais crises”, conta a empresária, com orgulho da iniciativa.

Inicialmente, ela pensou em trazer um professor para a empresa. “Mas eles amaram a academia. Lá encontraram clientes, foram tratados com a mesma atenção de um aluno regular e ainda saíram do ambiente de trabalho. Fiz os cálculos e vi que o saldo de custo-benefício e qualidade de vida seria bem maior que se repassasse um valor para eles comprarem um tênis ou uma jaqueta.”

Por isso, Kátia negociou um plano especial, pagou à vista e ofereceu, para seis funcionários do setor de produção, seis meses de academia. O resultado foi tão bom que a empresa já faz a reserva para negociar o novo pacote de seis meses para seus colaboradores.

Esporte, arte e equilíbrio

Ele ocupa a vice-presidência de uma das maiores empresas do ramo de papelaria do País, onde trabalha há 22 anos, e para dar conta da responsabilidade, o engenheiro mecânico Vinícius Coube, 43 anos, investe na saúde do corpo e equilíbrio da mente.

Apaixonado por esportes, toda terça-feira que é possível participa de um rachão de basquete, com ex-jogadores, no ginásio Panela de Pressão. Além disso, a corrida, a natação e o tênis fazem parte de seu rol esportivo. “Procuro estar sempre fazendo todos esses esportes, é claro que nem sempre dá tempo e nem acho necessário fazer exercício todo santo dia”, comenta.

Para relaxar, Coube adotou a yoga e a massagem. Uma vez por semana faz uma sessão de shiatsu. “Dessa maneira, busco mesclar os movimentos com a preocupação com a saúde, o equilíbrio e o controle de peso, né?!...”, brinca o empresário.

A boa leitura também faz parte da rotina de descanso de Vínícius, que é fã das crônicas é críticas de Luís Fernando Veríssimo, Ignácio de Loyola Brandão, Mário Prata e José Simão. “Outra coisa que ajuda muito a descansar é ouvir, assistir e tocar música”, confessa um aluno que se diz pouco aplicado, mas que sai das aulas renovado.

____________________

Gravadora direciona música para empresas

Nos últimos anos, o conceito de responsabilidade social e o investimento em programas de qualidade de vida tornaram-se imprescindíveis na evolução dos negócios. Apostando na diversificação de seu principal produto, a música, a gravadora Azul Music adaptou-se a essa nova realidade.

O selo, que começou em 1993 lançando CDs de new age, hoje se destaca com lançamentos de música instrumental contemporânea, ampliou seu universo de produtos incluindo trabalhos de world music e música para relaxamento, utilizados em aplicações terapêuticas e programas de qualidade de vida em importantes empresas.

“Atuamos somente no mercado musical, mas pensamos a música como uma ferramenta que ajuda a diminuir o impacto do estresse sobre os funcionários. A cada dia, os empresários estão investindo em soluções que ajudem a minorar problemas resultantes do estresse urbano. Por isso, optam por aulas de yoga, atividades físicas com fins terapêuticos, sonorização de ambientes etc”, afirma o dono da gravadora, José Antonio Corciolli.

O crescimento do número de clientes atendidos na última década é de 30% a 40% por ano. A diversidade também aumentou. Até 1998, a gravadora era procurada basicamente por multinacionais. Hoje, atende a encomendas de pequenas e médias empresas nacionais dos mais variados segmentos, como o de alimentação (Monsanto), indústria automobilística (Ford, Renault, Honda), farmacêutica (Novartis, Dow Química), cosméticos (Avon, Boticário, Aromas Naturais) e confecções (VivaVida).

No que se refere ao conceito de responsabilidade social, a gravadora criou uma coleção infantil, com seis CDs, que destina 3% do total de suas vendas a uma instituição que ampara crianças carentes, portadoras de necessidades especiais (deficientes mentais severo-acamados). Esta iniciativa lhe rendeu no último dia 15 de maio o selo Empresa Amiga da Criança, da Fundação Abrinq.

Comentários

Comentários