Um grupo de vereadores defendeu ontem que o prefeito Nilson Costa (PTB) renuncie ao cargo para não estender ainda mais o desgaste político enfrentado pela cidade nos últimos meses pelos próximos 90 dias, prazo que a Comissão Processante (CP) instalada contra ele terá para julgar seu mandato.
Pelo menos três parlamentaresfalaram sobre esta possibilidade como a menos traumática neste momento para o município e para o próprio prefeito. Da oposição, dois vereadores voltaram a criticar duramente o chefe do Executivo e incitaram sua saída antecipada, na sessão de ontem.
Da situação, Edmundo Albuquerque (PPS) também concordou, parcialmente, que seria melhor Nilson se afastar para pôr fim à crise. Mas a palavra renúncia já havia sido pronunciada no Palácio das Cerejeiras durante os últimos dias. O Executivo estava aguardando a votação da CP para decidir qual o caminho a ser adotado.
A aprovação com larga margem de votos (18 a dois) e a presença de três denunciantes na Processante pode precipitar adecisão, analisam alguns políticos. Mas o tema não é pacífico no governo. Ontem à noite, em uma solenidade no Teatro Municipal, integrantes do primeiro escalão se mostravam reticentes sobre a viabilidade de renúncia.
Seja qual for a decisão, os argumentos para a saída antecipada já foram lançados. Toninho Garmes (PSDB) foi o primeiro a discutir o assunto. E ele foi duro com Nilson. “O prefeito está querendo fugir da sua responsabilidade, mostra covardia tentando transferir para servidores o papel que não desempenhou. Não vigiou seus subordinados e foi o ordenador das despesas irregulares. Manter a governabilidade da irregularidade?”, citou na tribuna da Câmara para o público que acompanhou a sessão ao vivo pela TV e para os que lotaram a galeria.
Em sua opinião, o prefeito não demonstrou aptidão para o cargo. “Não tem aptidão para administrar. É renúncia já para evitar a continuação do estágio letárgico na administração. Não vamos permitir a institucionalização do desvio de verba pública em nossa cidade”, criticou.
Contraponto
Edmundo Albuquerque discursou logo em seguida. “Discordo que quer o bem da cidade só quem vota com o senhor (Garmes). Democracia é respeito ao comportamento dos demais colegas. Eu respeito a sua posição. Ninguém aqui está defendendo que se escondam as denúncias. Eu defendi que os processos fossem para o Ministério Público, único que pode pedir o ressarcimento de eventuais prejuízos”, rebateu.
Albuquerque também reagiu à manifestações que vieram da galeria. “É só ver a história recente para observar quem defendeu a corrupção na cidade. Não comparo corrupção com inabilidade administrativa, que é a discussão aqui. Isso é do governo Izzo. Quem se posiciona agora pela cassação do Nilson não defendeu isso no passado”, citou.
O vereador foi autor da primeira denúncia que levou à cassação do mandato do então prefeito Izzo, que tinha como vice Nilson Costa. “A comparação é bem diferente. Não se esqueça que era corrupção com cheque retirado na boca do caixa pelo ex-procurador-geral do Município no passado. Isso é corrupção. Aqui a discussão é outra. Não tem denúncia de que alguém levou nada”, emendou.
Entretanto, Albuquerque revelou que já havia discutido com Nilson Costa, ainda na semana passada, a opção pelo afastamento do cargo. “Já disse ao Nilson Costa que se afaste para que, no Judiciário, ele defenda sua posição. Acho que o Nilson deve abrir mão de seu mandato em caso de aprovação da Comissão Processante”, disse. Pouco tempo depois, o plenário aprovou a CP.
O vereador do PPS justificou seu argumento. “Eu tenho essa posição e já levei ela ao prefeito para que a cidade não sofra por mais 90 dias. Concordo com o Garmes nesse sentido. No Judiciário o prefeito pode discutir com isenção as possíveis irregularidades”, concluiu.
João Parreira, autor das denúncias em relação ao contrato de compra de carne para a merenda escolar, também abordou o tema. “Sou meio inocente. Somos todos inocentes. Demonstramos que todos os processos passaram por vários setores da prefeitura, passaram pelo gabinete várias vezes, mas nunca conseguiu chegar ao prefeito”, ironizou.
Ele emendou que a população assimilou a gravidade do caso. “Bauru tem uma Câmara que cassou um prefeito e pode cassar outro. Os vereadores apuraram sua própria Casa. A lei é para todos. O Nilson tem que renunciar. É um favor que ele faz para Bauru”, finalizou. O Executivo informou que será marcada uma entrevista coletiva hoje para o pronunciamento de Nilson Costa.