O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) protocolou na Câmara Municipal a denúncia de que 15 creches municipais não estariam recebendo parte dos gêneros alimentícios da merenda escolar. “Constatamos pessoalmente o problema e queremos que eles averiguem”, afirma a diretora do sindicato Sônia Maria Carvalho.
O documento foi entregue na última semana e chegou a ser lido em plenário. Segundo o Sinserm, as creches deixaram de receber farinha, pão, margarina, ervilha, fubá, suco, açúcar e bolacha salgada. “Há muitas mães reclamando. Tem criança que só consegue se alimentar decentemente quando está na escola, pois é de família pobre”, declara Carvalho.
A denúncia encaminhada aos vereadores afirma também que diversas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) não recebem feijão há dois meses. Já o fornecimento de salsicha e frango teria sido suspenso em fevereiro. A falta de tempero, açúcar e material de limpeza em quantidade suficiente são outras reclamações.
Carvalho afirma que o Sinserm procurou a Câmara depois de não obter sucesso com a prefeitura. “Nós questionamos diretores, professores e até a secretária da Educação. Usamos todos os caminhos que haviam, mas o problema continuou”, declara.
O assessor jurídico do sindicato, Sandro Luiz Fernandes, defende uma ação imediata do Legislativo. “Acreditamos que eles têm por obrigação tomar as providências cabíveis”, diz.
O presidente da Câmara, Renato Purini (PV), afirma que cabe à prefeitura abrir uma sindicância para averiguar o problema. “Mas a própria Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Carne já trata dessa questão”, explica.
Providências
A diretora do Departamento de Merenda Escolar da Secretaria Municipal da Educação, Rosângela Maria Rosa Tendolo, confirma que há problemas na distribuição dos alimentos, mas que todas as medidas para normalizar a situação estão sendo tomadas.
Segundo ela, diferentes motivos provocaram o atraso no repasse. “Quanto ao pão e à farinha, tivemos problemas no final do ano passado com a alta do dólar. Nas licitações que fizemos, ninguém se apresentou”, conta.
Rosângela diz que alguns itens já voltaram a ser entregues. “A gente não compra só bolacha salgada. Hoje, por exemplo, recebemos 3 mil quilos de bolacha doce. Durante a semana, chegaram 300 quilos de margarina e também estamos distribuindo 1.700 quilos de carnes, 1.400 de filé de frango e outros 981 de salsicha”, explica.
Ela afirma, ainda, que não houve falta de feijão nas Emeis. “Nós tínhamos 6 mil quilos e eles estão sendo usados”, declara.
A diretora acredita que tudo estará resolvido até agosto. “Nós estamos terminando uma concorrência pública que será válida durante um ano e todos esses itens serão noramalizados, inclusive o suco, a ervilha e o milho verde, que são complementos do cardápio”, revela.
Já a diretora do Departamento de Unidades Escolares da Secretaria Municipal da Educação, Marilene Franco de Souza, diz que a prefeitura recebeu recentemente uma grande remessa de materiais de limpeza. “O fornecedor, que deveria ter feito a entrega anteriormente, teve um contratempo e por isso houve o atraso, mas a situação já está sendo resolvida”, afirma.