Ando sinceramente preocupada com o grande número de pessoas que se auto-intitulam especialistas em assuntos que sequer têm o conhecimento devido. São dentistas, médicos, psicólogos, terapeutas, e outros que se consideram habilitados a promover um sem número de tratamentos milagrosos e que, por vezes, acabam piorando o paciente ao invés de lhe conferir melhora ou cura.
A faculdade tem o intuito de fornecer subsídios para que a pessoa possa considerar-se formada em determinada área, ou seja, em condições de exercer a profissão escolhida, dentro das limitações e ética que lhe são peculiares. Só que não é isso que vem ocorrendo ultimamente. Há uma miscelânea de atendimentos, oriundos de entendidos, todos se considerando habilitados e que, na maioria das vezes, interferem muito no psiquismo da pessoa atendida, causando estragos bastante grandes na esfera emocional e íntima.
Isso logicamente precisa acabar. As pessoas merecem respeito e têm o direito de ser tratadas com responsabilidade e por quem efetivamente possui conhecimento. Se o erro é coisa passível de ocorrer entre os que possuem experiência e habilidade, faça uma idéia entre os “entendidos” que nada sabem. É uma vergonha alguém que não tem condições de exercer a profissão ficar sujando o nome de outros que trabalham com seriedade. Esses maus profissionais precisam cair em si e procurar se aprimorar para exercer o ofício com dignidade. Se não for possível, que prestem um favor a sociedade e se afastem do exercício profissional.
Quem pode pode e quem não pode, busca recursos ou “pendura as chuteiras”. Essa estória de fazer uma “burrada” após outra só tem servido para denegrir o nome de profissionais sérios e competentes. Afinal, nem tudo o que reluz é ouro. Não é porque tal e tal pessoa são formadas, possuem diploma universitário na mão, que isto lhes assegura o bom exercício na profissão. Isso se conquista com o tempo, a dedicação, o estudo, a experiência e a competência profissional. Não venham me dizer que a zircônia é igual ao brilhante porque existem diferenças fundamentais. Só que o leigo, muitas vezes, não consegue perceber. Para ele, brilha do mesmo jeito. Existe muita gente que sabe a diferença e não diz. Tem de dizer, sim! Pois só assim vamos conseguir separar o joio do trigo e poder oferecer tratamento de qualidade à população.
Ao leitor, uma sugestão: pesquise, pergunte, obtenha informações sobre o profissional que você está buscando. Procure averiguar se é uma pessoa ética, idônea. Certifique-se de que irá respeitar a sua dor, a sua intimidade, a sua timidez ou dificuldade em se expressar. Tenha certeza de que está se relacionando com um profissional de verdade. Se você não ficar esperto, muita gente ainda vai enriquecer às suas custas. (A autora, Maria Regina Canhos Vicentin é psicóloga. E.mail: mrghtin@ig.com.br)