Regional

Apesar do CDP, cadeias estão lotadas

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

As cinco cadeias públicas da região, que integram a área da Seccional de Bauru, continuam abrigando um número de detentos acima da capacidade mesmo depois da inauguração, no último dia 24, do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. As cadeias estão instaladas nos municípios de Pirajuí, Pederneiras, Duartina, Agudos e Avaí.

Um dos casos mais graves quanto ao problema da superlotação é o da cidade de Duartina, que possui capacidade para abrigar 18 presos, mas estava com 39, distribuídos em três celas até ontem.

Segundo o coordenador das unidades prisionais da região Noroeste do Estado, Antonio Paulo Veronezi, o CDP foi inaugurado há poucos dias e não há condições de receber todos os detentos de forma imediata. “Os presos serão removidos gradativamente. Não tem como pegar 700 presos e colocar lá dentro de uma semana.”

O coordenador afirma que existe um trabalho de inclusão dos detentos no novo ambiente que requer tempo e deve ser considerado. “Eles têm de ser removidos, cadastrados, devidamente registrados. Os presos têm de passar por uma triagem, avaliação de saúde. Existe um processo. Não é simplesmente jogá-los dentro da cela”, afirma.

O coordenador exemplifica afirmando que somente agora a inclusão dos presos da Cadeia de Bauru está sendo finalizada.

Veronezi acredita que dentro de dois a três meses todos os presos da região estejam transferidos. “Está tudo ocorrendo normalmente”, avalia.

Para o delegado da Seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, o processo de transferência dos detentos está cumprindo o cronograma traçado pela Seccional e a direção do CDP. “Nós não podemos atropelar. Aquilo que demorou 50, 60 anos para acontecer não pode ser resolvido em 15 dias”, avalia.

Ciocca afirma que o primeiro passo tem sido a transferência dos presos de Bauru que estão alojados em cadeias da região. Segundo o delegado, nos próximos dias, a previsão é de que cerca de 50 detentos distribuídos nas cadeias de Agudos, Pederneiras, Duartina e Pirajuí sejam deslocados para o novo espaço.

“Aí nós acabamos com a transferência dos presos de Bauru e vamos começar a retirar os presos da sub-região.”

O delegado confirma que há certa ansiedade por parte dos diretores de cadeia e policiais civis na rapidez do processo. “É natural. A cadeia é sempre preocupante. No último fim de semana teve tentativa de fuga em Pederneiras. Recebemos também uma notícia de que poderia haver fuga em Duartina e ficamos de sobreaviso.”

Dentro do processo de transferência, Ciocca esclarece que a Seccional tem sido responsável por fornecer a relação dos presos e a diretoria do CDP a autorização de encaminhamento. A escolta dos detentos da cadeia ao CDP está sendo realizada por policiais civis.

Até ontem, o novo prédio, que tem capacidade para 768 internos, abrigava 237.

A assessoria de imprensa da Secretaria das Administrações Penitenciárias afirmou que o processo de transferência dos presos para uma nova unidade prisional ocorre de forma gradativa e que este é um procedimento padrão.

Avaí

Segundo Ciocca, com a criação do CDP, todas as cadeias da região da Seccional de Bauru devem ser desativadas, exceto a de Avaí, que continuará recebendo presos. “Avaí vai receber os autuados em flagrante, os temporários, as prisões especiais e administrativas.”

Todos os presos provisórios que hoje estão nas cadeias da região devem ser transferidos para o CDP e os sentenciados distribuídos em penitenciárias.

Ciocca afirma que não há uma ordem programada de desativação das unidades, mas adianta que será levado em conta os prédios que estão em piores condições de funcionamento, como o de Agudos e Pederneiras.

O delegado ressalta ainda que não há por parte da polícia a intenção de superlotar o CDP, já que o prédio deve manter uma margem de vagas para receber novos detentos. “Para se ter uma idéia, esse final de semana 17 pessoas foram presas em Bauru. Então, o CDP terá sempre que ter alguma vaga para que a gente tenha lugar para colocar os presos”, explica.

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