Cultura

Clássicos caipiras

Da Redação
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Iniciada com as apresentações do grupo Cordel do Fogo Encantado, Zé Geraldo e Zeca Baleiro, a programação de shows da Festa Junina do Sesc prossegue hoje, a partir das 22h, com os músicos Renato Teixeira e Pena Branca subindo ao palco. A dupla deve relembrar clássicos da música regional, revivendo show que fizeram juntos com Xavantinho, em 1992, e que resultou no conhecido CD ao vivo, gravado em Tatuí.

A história de Teixeira com Pena Branca e Xavantinho começou no início dos anos 80, quando se apresentaram juntos em Aparecida do Norte. Em 1992, os três voltaram a se encontrar no projeto “Via Paulista”, do Sesc Pompéia de São Paulo. Da parceria nasceu o show, que teve grande repercussão e viajou por cidades de todo o Brasil. Diante do sucesso, a Kuarup Discos lançou “Renato Teixeira e Pena Branca & Xavantinho, ao Vivo em Tatuí”.

Em catálogo até hoje, a gravação se tornou um marco no gênero, ultrapassou 1 milhão de cópias vendidas e recebeu o Prêmio Shell de Música em 1995, o Prêmio Sharp de Música por 2 anos consecutivos, Disco de Ouro em 1997 e o prêmio de Melhor Disco Caipira da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

Renato Teixeira começou sua carreira em 1967, no Festival de Música da Record, quando sua canção “Dadá Maria”, defendida por Gal Costa, foi classificada. Mais tarde participou do Grupo Água, com quem assimilou o espírito da cultura e da música caipira, base indispensável para seu amadurecimento como cantor e compositor.

De acordo com a assessoria de imprensa do Sesc, em seu show, Teixeira apresenta canções que se transformaram em verdadeiros clássicos, como: “Frete”, grande sucesso do seriado “Carga Pesada”, que na nova versão da série, atualmente no ar, é interpretada por Chitaõzinho e Xororó; e “Amanheceu, Peguei a Viola”, tema do programa Som Brasil, além de “Chalana”, “Felicidade” e seu eterno sucesso: “Romaria”, imortalizado por Elis Regina.

O cantor também costuma divertir o público contando “causos” entre uma música e outra.

Pena Branca foi criado na zona rural de Uberlândia, em Minas Gerais e começou a tocar em 1950, aos 12 anos, acompanhado pelo irmão Xavantinho, três anos mais novo. Em 1958 participaram pela primeira vez de um programa da Rádio Educadora de Uberlândia e passaram a se apresentar em cidades do interior até 1968, quando decidiram tentar a sorte em São Paulo.

A carreira da dupla, que conquistou 5 vezes o Prêmio Sharp, foi encerrada em outubro de 1999, com a morte de Xavantinho. Hoje, Pena Branca tem uma carreira solo, seguindo o trabalho que sempre caracterizou os discos da dupla, resgatando canções do folclore brasileiro, caipiras e músicas de importantes compositores, sempre trazendo arranjos criativos e delicados.

De acordo com Teixeira, Pena Branca e o irmão são dois verdadeiros representantes da cultura caipira, com quem ele aprendeu muito. “A morte de Xavantinho foi prematura. Sua partida impediu que pudéssemos usufruir mais da voz deste que, na minha opinião, foi um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos”, afirma o cantor, segundo a assessoria do Sesc.

• Serviço

Show com Renato Teixeira e Pena Branca. Hoje, às 22h, no Sesc. Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 235-1750.

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Festa tem mais três noites

Além dos shows, o arraial montado no bosque do Sesc continua com ranchos dedicados à cultura popular, como o café tropeiro do Zé Mira, a oficina de viola de Levi Ramiro e o cantinho da boneca de palha da artesã Helena Alves. Há ainda da cozinha caipira e performances de atores nos diversos espaços da festa.

A animação musical e todas as demais atividades começam todos os dias às 19h, com a apresentação de Neneco e seu conjunto. O show principal, amanhã, é de Anaí Rosa e banda. A cantora, natural de Ribeira (SP), é formada em música pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), vocalista da banda Havana Brasil e já abriu shows de artistas como Zé Ramalho.

Inezita Barroso e Robertinho do Acordeon apresentam no sábado “À Moda Caipira”, que tem como marca repertório com a autêntica música regional brasileira.

No domingo, encerrando a programação da Festa Junina, o mineiro Pereira da Viola, violeiro, cantor e compositor, mostra canções inspiradas nas tradições mineiras, como a Folia de Reis, causos e toadas. O espetáculo tem participação especial de violeiro Levi Ramiro.

Paralelo aos shows, programados sempre às 22h, o Sesc realiza uma exposição sobre Amácio Mazzaropi, o ator circense que eternizou o caipira Jeca Tatu no cinema. com objetos e cartazes dos seus filmes. Até domingo, na área de convivência, continuam às exibições de filmes protagonizados por Mazzaropi.

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