O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC/USP) - Centrinho - completa, na próxima terça-feira, 36 anos com muitas conquistas e um sonho: inaugurar sua nova unidade hospitalar, chamada de “predião”, cuja pedra fundamental foi lançada em 1989.
Com o espaço mobiliado e equipado, o atendimento poderá ser triplicado em várias frentes de atuação - principalmente a pacientes que apresentam quadros raros de síndromes associadas a anomalias congênitas, além de deformidades craniofaciais e de extremidades (membros inferiores e superiores).
Ao todo, o imóvel tem 21 mil metros quadrados de área construída, com 11 andares, 200 leitos e oito salas cirúrgicas. Ainda faltam 35% da construção civil, 32% das instalações hidráulicas e 42% de instalações elétricas para que o prédio possa funcionar.
“Nossa luta pelo predião é diária”, conta o superintendente do hospital pelo nono mandato consecutivo, José Alberto de Souza Freitas – Tio Gastão. “Só quem trava contato direto com essas pessoas que acolhemos pode sentir no coração como é importante terminar o novo prédio”, acrescenta.
No ano passado surgiu uma boa notícia: duas emendas parlamentares dos deputados Pedro Tobias e Afanásio Jazádji destinaram R$ 5 milhões do orçamento do Estado ao Centrinho/USP. Aprovado na Assembléia, o auxílio foi remetido ao governo estadual e aguarda liberação.
“O problema é que o cobertor está curto”, justifica o secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, em alusão ao aperto financeiro do Estado que, em 2003, deve arrecadar quase R$ 5 bilhões a menos do que o previsto em 2002. Ainda assim, mesmo que os R$ 5 milhões sejam liberados, ainda restarão R$ 10 milhões para ser captados.
“Diante disso, não ficamos limitados aos pedidos oficiais para os governos estadual e federal”, completa Tio Gastão. “A gente corre atrás. E vamos chegar lá a partir da união de forças entre órgãos governamentais, promotoriais, fundações, empresas e a comunidade em geral.”
Exemplo
A diretora financeira da Prefeitura de Santa Cruz de La Siera - uma das mais importantes cidades da Bolívia -, economista Cecilia Limpias, diz que o hospital Centrinho/USP é um modelo de instituição de saúde para a América Latina. “Não vejo um atendimento público ou privado com a excelência do Centrinho em outro país”, relata.
O filho dela, estudante de engenharia Manuel Cruz, 20 anos, nasceu com fissura labiopalatal e está praticamente recuperado. Em 18 anos de tratamento, passou por cinco cirurgias no Centrinho - todas bem-sucedidas. “Por causa do hospital, aprendi a gostar muito do Brasil”, completa Manuel.
“No futuro, pretendo fazer uma pós-graduação em engenharia pela Universidade de São Paulo e retribuir à instituição tudo o que recebi do seu maravilhoso hospital de Bauru.”