Pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o nível de emprego industrial do Estado de São Paulo em abril de 2003 apresentou queda de 2,5% em relação a abril do ano passado. No Brasil, a queda entre os dois períodos foi de 1%.
De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal de Salário e Emprego, a maioria dos ramos industriais pesquisados registrou queda no pessoal empregado. “De um total de 18 ramos analisados, 12 mostraram queda (em São Paulo)”, afirma a técnica do Departamento de Indústria do IBGE Denise Cordovil.
A pesquisa mostra que, no Estado, o maior responsável pelas demissões foi o setor de máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicação, com queda de 10,7% no nível de emprego. “Na maioria dos segmentos que fazem parte da estrutura industrial de São Paulo houve queda. Isso está condizente com os resultados da produção industrial, que vem mostrando uma trajetória descendente nos últimos meses mais”, diz Denise.
Entre os setores que registraram resultados positivos no Estado, destacam-se o de bens de capital, como tratores e colheitadeiras, com alta de 9,5%, e o de refino de petróleo e produção de álcool, com aumento de 8,9% no nível de emprego.
A folha de pagamento média da indústria paulista apresentou a maior queda entre os Estados brasileiros: 7,4% no último mês em comparação a abril de 2002. No acumulado do ano, há diminuição da folha de pagamento em 15 dos 18 setores pesquisados. “Esses resultados negativos mostram um reflexo das dificuldades pelas quais vem passando a indústria e o mercado de trabalho”, explica a técnica do IBGE.
De acordo com o vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Marques Coube, o desemprego na indústria vem aumentando há, pelo menos, três anos. “A indústria de São Paulo, com ênfase na indústria de transformação, vem cedendo ao enfraquecimento do mercado desde 2000”, diz.
Para Coube, os resultados negativos apresentados pelo IBGE já eram previstos, tendo em vista a situação econômica brasileira. “É o agravamento de um quadro impactando emprego e renda”, afirma. Segundo ele, os setores mais prejudicados são aqueles que dependem do mercado interno. “Se você exclui os setores que exportam, nos outros a queda é considerável e este é o terceiro ano que nós estamos assim”, diz.
Na opinião do vice-presidente do Ciesp, a redução da taxa básica de juros (Selic) de 26,5% ao ano para 26% foi muito tímida para produzir impacto positivo sobre a indústria. “A impressão que temos é que, se neste ano ocorrer algo de favorável, só será no final dele. Nos próximos 90 ou 120 dias, não há expectativa alguma de que possamos reverter essa atual tendência”, acrescenta Coube.
Para ele, a indústria só voltará a contratar quando houver mais crédito no mercado a custos mais baixos - o que acarretará também incremento na renda do brasileiro. “Não há inflação de demanda, gerada na ponta pela procura de produtos, e sim uma inflação gerada, em parte, pelos sucessivos aumentos dos custos financeiros”, analisa Coube.
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Soja e milho
A produção de máquinário agrícola em abril foi a que apresentou melhores resultados no Estado de São Paulo, indica a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Renda do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor apresentou alta de 9,5% no nível de emprego industrial.
Para o vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde Guimarães, apesar do dado ser positivo, mostra uma “meia-verdade”. “Houve um ‘boom’ na produção de máquinas agrícolas em função da soja e do milho, que são basicamente os carros-chefes do maquinário agrícola”, diz.
Segundo Lima Verde, o País vai fechar o ano com safra recorde de grãos - 115 milhões de toneladas, o equivalente a 40% do Produto Interno Bruto (PIB) agrícola. No entanto, os demais setores da agricultura não apresentam a mesma boa performance. “O fato de ter recorde de grãos não quer dizer que a agricultura vai bem”, afirma.
De acordo com Lima Verde, de 18 produtos agrícolas cotados, 16 estão com preços cadentes. Soja e milho, por outro lado, vão bem e exigem grande investimento em maquinário. Segundo ele, 100% da produção de soja e 70% da produção de milho são mecanizadas, o que impulsiona a indústria paralela à produção. “Isso mascara um pouco a realidade do setor como um todo”, observa.