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Autonomia sindical é tema de palestra

Da Redação
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Neste final de semana, a subsede de Bauru da Central Única dos Trabalhadores (CUT) está promovendo no centro sindical um curso de capacitação e formação de dirigentes sindicais. Hoje, uma palestra aberta à população discute os projetos de liberdade e autonomia dos sindicatos na atual situação dessas entidades.

De acordo com Hildo Soares de Souza, secretário de formação da CUT-SP, cursos como esse são importantes para ampliar a capacitação dos participantes, além de incentivar a reformulação dos sindicatos. “Em sua consolidação, a CUT tem a formação dos dirigentes como estratégia para fortalecimento não só da central, mas de todos os sindicatos”, afirma Souza.

O secretário de formação, que também é membro do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, conta que os cursos de formação sindical existem em todo o Brasil, e que este que está ocorrendo em Bauru faz parte do segundo módulo. “Quem está participando já fez o primeiro, e depois fará o terceiro e o quarto módulo. Posteriormente, poderá escolher entre outros cursos disponíveis, como oratória e comunicação, segurança no trabalho, legislação, entre outros”, explica.

O diretor de imprensa do Sinergia e diretor estadual da CUT, Francisco Wagner Monteiro, defende que a central sempre realizou este tipo de trabalho com verba dos próprios associados, e que esse é o modelo ideal para a continuidade dos sindicatos. “Com liberdade e autonomia, as entidades vão poder lutar pelos seus interesses na reforma sindical. Mas uma reforma da legislação trabalhista não pode ocorrer antes dos sindicatos alcançarem essa autonomia”, diz Monteiro.

Para uma reforma sindical, uma das questões apontadas por Monteiro e Souza como necessárias de mudança é a taxa cobrada das entidades, visando sua manutenção. “Do imposto pago, o sindicato recebe 60%, e alguns dirigentes se acomodam, não se mobilizam. Não precisa encontrar uma nova forma de sustento para as entidades. Ela já existe: são os trabalhadores, que participam como associados”, afirma Souza.

“Nós defendemos reformas que dêem liberdade para os sindicatos se organizarem livremente, sem vícios. Defendemos que possa existir mais de um sindicato por categoria, dando escolha ao trabalhador, que terá sua vontade respeitada”, aponta Monteiro.

Ele explica que a idéia não é pulverizar a existência das entidades, e sim pluralizar, pois acredita que a tendência natural, com a existência de mais sindicatos, seria a união destes em associações nacionais e estaduais, com maior poder de negociação e melhor articulados. “Acabariam os sindicatos fantasmas, que não terão associados, e aqueles que têm em sua direção pessoas sem apoio, acomodadas com sua situação. Os trabalhadores procurariam os mais fortes e os que eles sabem que trabalhariam para seu bem”, afirma Monteiro.

Previdência

“A reforma da Previdência é um tema que interessa aos trabalhadores diretamente, e a CUT defende esta reforma, assim como a reforma agrária e a tributária. Mas mesmo apoiando o governo Lula, nós vamos nos mobilizar para garantir os direitos dos trabalhadores quando uma proposta não estiver de acordo com o que pensamos”, enfatiza Monteiro. Ele explica que um dos itens da atual proposta com o qual a entidade não concorda é o teto de dez salários mínimos para os aposentados. A CUT defende a definição de 20 salários mínimos.

“Outra questão é a situação dos trabalhadores insalubres, com serviços perigosos, que deveriam voltar a se aposentar com 25 anos de trabalho, um direito que o governo de Fernando Henrique Cardoso tirou dos trabalhadores”, acrescenta Souza.

• Serviço

Palestra gratuita sobre liberdade e autonomia sindical, hoje, às 14h, na CUT, na rua Araújo Leite, 13-4.

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