Saúde

O sexo dos anjos

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

É menino ou menina? Essa dúvida é uma das que primeiro surge no imaginário do futuros pais ao descobrirem a gravidez. Mas, antecipando-se a isso, a ciência já oferece a possibilidade de determinar o sexo do embrião nos seus primeiros dias de vida. O método, no entanto, ainda tem restrições, inclusive financeiras, o que não permite que atinja uma grande parte da população.

Para essas pessoas, no entanto, a sabedoria popular oferece algumas maneiras mais simples de determinar se o bebê será menino ou menina. A técnica não é reconhecida pela medicina. No entanto, os especialistas dizem que ela tem lógica.

De acordo com o ginecologista Vicente Abdelmassih, especializado em reprodução assistida, os caminhos utilizados pela técnica caseira são viáveis. “A teoria é verdadeira, mas não se comprova cientificamente”, afirma.

Ele se refere a um método desenvolvido pelos judeus há muitos séculos, que consiste na diferença entre os espermatozóides que levam os genes masculino e feminino. No ato sexual, o homem libera milhões de gametas no aparelho reprodutor feminino. Apenas um deles vai fecundar o óvulo (na maioria dos casos) e, dependendo da sua carga genética, determinará o sexo da criança.

Depois de muitos estudos, foi concluído que o espermatozóide “masculino”, identificado pelo gene Y, é mais rápido e ágil, mas tem menos resistência. Já o feminino (X), ao contrário, é lento e mais forte.

Dessa forma, o Y chega primeiro ao destino. Caso ele encontre o óvulo, irá fecundá-lo e o casal terá um menino. Se chegar primeira que a celula feminina, ele corre o risco de “morrer” antes da fecundação, abrindo caminho para o espermatozóide que contém o gene.

“É muito difícil dizer que isso realmente vai acontecer, ou seja, que determinado espermatozóide chegará primeiro ao óvulo. Isso é simpatia, lenda”, destaca o biólogo geneticista Esiquiel de Miranda.

Já Abdelmassih, que faz parte da equipe médica da Clínica e Centro de Reprodução Humana Roger Abdelmassih (uma das mais renomadas do País), destaca que a possibilidade existe, só não tem como prever quais as reais chances disso acontecer. “O espermatozóide Y possui menos carga genética, portanto, movimenta-se com mais agilidade. Ele tende a chegar primeiro ao local da fecundação”, explica.

Ovulação

Para obter êxito utilizando essa fórmula, os futuros papais precisam ser bons de cálculo e controlar a relação sexual, a fim de permitir a chegada do gameta Y ou X, dependendo do seu objetivo.

Abdelmassih salienta que, se a intenção for ter um menino, o ato sexual deve acontecer no mesmo dia ou no dia seguinte à ovulação; caso contrário, tem de se dar dois dias antes da ida do gameta feminino para o útero. “Assim, quando o óvulo chegar ao útero encontrará apenas os espermatozóides X, formando uma menina”, ressalta.

A crença popular destaca ainda outros métodos que ajudam a controlar a concepção do embrião no que diz respeito ao sexo. Como no caso da “corrida dos gametas”, elas também não têm base científica.

Uma delas diz que o fato da mulher ter ou não orgasmo durante a relação sexual influi no sexo do bebê. Isso porque, quando a mãe chega ao clímax, ocorre uma alteração na musculatura uterina que facilita a movimentação dos espermatozóides.

Para ter um menino, ela teria de ter orgasmo junto ou antes do homem, o que facilitaria a entrada dos gametas masculinos (Y). Já para formar uma menina, a mulher não poderia ter orgasmo, o que faz com que a entrada para a fecundação fique mais complicada e só os mais resistentes (femininos) consigam cumprir a missão.

Alimentação balanceada

Entre as técnicas artesanais de definição do sexo da criança estão duas dietas alimentares difundidas na década de 70, conhecidas como Regime Francês. Naquele tempo, obstetras e nutricionistas franceses adaptaram um método canadense de pré-seleção de sexo baseada no controle da alimentação. Eles constataram que dois elementos presentes no organismo da mulher (o sal e o potássio) favoreciam a chegada do espermatozóide Y até o óvulo. Já uma dieta rica em cálcio e magnésio possibilitaria a vitória do gameta X. Baseados nisso, os médicos receitavam um cardápio apropriado para cada caso.

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