Saúde

Método científico tem 90% de eficácia

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto os métodos artesanais não têm eficácia comprovada, a técnica científica de determinar o sexo do bebê oferece quase 90% de chance de dar certo. “A possibilidade de conceber uma menina é de 80% a 85%, podendo chegar a 90% em alguns casos”, explica o biólogo geneticista Esiquiel de Miranda.

Ele salienta que a formação de um embrião do sexo masculino é menor, ficando na casa dos 70% a 73% de chances. Especializado na área de genética humana, Miranda atua junto à equipe do médico geneticista Walter Pinto Júnior, professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele salienta que a técnica, conhecida por Fish, é permitida somente no caso de doenças ligadas ao código genético, como hemofilia e distrofia muscular.

Esse método de sexagem foi desenvolvido no início da década de 90, na Inglaterra. No Brasil, ele passou a ser realizado em 1996, por médicos especializados em reprodução humana.

O ginecologista Vicente Abdelmassih trabalha na equipe da Clínica e Centro de Reprodução Humana Roger Abdelmassih, de São Paulo, uma das mais conhecidas no País. De acordo com ele, o método científico foi criado para evitar que crianças fossem geradas com doenças graves, que pudessem comprometer a sua vida. “Ele é tido como uma prevenção em casos de problemas genéticos”, afirma.

Com funciona

A técnica só é possível no caso da fertilização in vitro. Abdelmassih explica que, quando o casal procura os médicos querendo utilizar esse método, a mulher recebe hormônios para estimular a ovulação. Dessa forma, o organismo vai produzir maior quantidade de gametas femininos. “A média que retiramos é dez. Mas há casos em que a mulher não consegue produzir nenhum e outros, que o número de óvulos chega a 50”, diz.

Todos os óvulos retirados são fecundados e, 72 horas após a experiência, os embriões são analisados.

Ao encontrar os que se encaixam no que os pais determinaram, os médicos os introduzem no útero da mulher, para que possam se desenvolver.

O que determina o sexo da criança é o par formado pelos genes X e Y. A criança recebe um da mãe e um do pai. A mãe só pode fornecer os Xs e o pai pode ser o doador tanto de um quanto de outro.

Casos na região

Apesar de todas as facilidades oferecidas pela ciência, quem deseja ter um filho de determinado sexo tem de contar com a sorte. A não ser que tenha um motivo muito forte para conseguir que o médico seja autorizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) a fazer técnica de sexagem.

Um tratamento como esse pode custar cerca de R$ 50 mil, incluindo várias tentativas de transferência dos embriões.

Miranda conta que, na região, há alguns casos registrados de pais que conseguiram a autorização para determinar o sexo do bebê. No entanto, no caso deles, essa busca pela característica da criança se deu devido a problemas de saúde. “Eles precisaram realizar a sexagem para que o bebê não herdasse uma doença genética.”

A reportagem do JC Saúde requisitou uma entrevista com esses casais, mas eles não autorizaram.

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