Tem gente que é toda preocupada com o visual, está sempre com as cores combinando e não gosta de dar vexame em nenhuma ocasião. Outros preferem estar confortável para aproveitar ao máximo a brincadeira e fazem força para não perder um segundo de diversão.
O cuidado em escolher o que vestir é uma preocupação maior para as meninas, mas os meninos também têm suas vaidades, principalmente com os cabelos, longos ou curtos e, às vezes, com topetes moldados a gel. Eles também passam horas diante do espelho para acertar o visual, que muitas vezes fica escondido pelo boné, que não sai da cabeça.
Nessa onda, a garotada fica mais independente, escolhe o que comprar, o que vestir e como agir nas brincadeiras e atividades diárias.
Melissa Fernanda Francisco Reis tem 9 anos e faz a 3.ª série. Ela é uma garota tranqüila, que já se conhece muito bem e sabe o que quer.
Questionada sobre o seu jeitinho, ela descreve como ela é: “Eu sou uma menina inteligente, alegre, estudiosa, charmosa e um pouquinho tímida”.
Com tranqüilidade, Melissa conta que é ela quem escolhe suas roupas, suas preferências alimentares e atividades extras. “Eu faço vários cursos, balé desde os 3 anos, que é o que eu mais gosto, depois vem técnica vocal, street dance e GRD.”
Em seu estilo esportivo, sente-se preparada para ir a qualquer lugar. “Gosto de usar tênis, assim fico mais à vontade. Só não deixo de cuidar do meu cabelo, que eu gosto de colocar várias presilhas e usar anel”, comenta. Nesse ritual de “arrumação”, ela passa um tempão se preparando antes de sair. Mas isso não impede que Melissa goste de brincar e se divertir com outras crianças. Melissa também gosta de ler e estudar. Quando crescer, tem dúvidas se quer ser dentista ou jornalista.
A Júlia Caldeira Jarussi tem 6 anos e também é uma garotinha bastante vaidosa. “Não sou perua, nem metida, eu só gosto de me arrumar para ficar bonita”, conta Júlia, com um belo sorriso.
Ela se define como uma menina muito falante. “Eu falo muito, a professora pergunta e eu fico respondendo, tudo o que ela pergunta quero responder. Também sou inteligente e fã da minha mãe!” A mãe é o espelho da Júlia, que fica apaixonada por suas roupas e sapatos. “Eu até peço para ela guardar tudo para quando eu crescer”, brinca.
Preocupada em estar sempre arrumada em festas, ela tem uma variedade de sapatos, saias e meias coloridas. “Eu adoro me arrumar e ir para a igreja. Lá, eu brinco com meus amigos e aprendo sobre Deus”, explica Júlia. “Agora, se me perguntar o que eu mais gosto de beber, pode saber, é suco de uva!”
Sem exageros
Diferente do que acontecia no passado, quando criança só usava roupa de criança, hoje as opções se assemelham bastante com o figurino dos adultos. Naquela época, e olha que nem faz tanto tempo, roupas para brincar eram shorts e camiseta, e na hora de passear, as meninas vestiam aqueles vestidos de babados e os meninos, bermuda, camisa e gravatinha.
Evolução tecnológica, novos brinquedos, brincadeiras e nova moda. A garotada saiu das ruas para os computadores, ficando sentados e nem precisam de roupas para “sujar” na brincadeira.
A psicóloga Maria Regina Corrêa Lopes Vanin dá um toque para a meninada não mergulhar “de cabeça” no consumo. “Com a influência da TV e das regras do consumo, descaracterizou-se a criança, que se veste de menina-mulher. Eu não acho muito legal, porque a precocidade acaba ocorrendo em outros momentos e não só na moda”, comenta.
Ela explica que é importante a gente escolher roupas que sejam práticas e confortáveis para os momentos de brincadeira e atividades esportivas. “A criança deve brincar. A sociedade, isso inclui a escola, a família, deve estimular a infância. Despertar para os brinquedos, as brincadeiras de roda. E mesmo um animal de estimação é muito importante para a criança”, explica.
Maria Regina sabe que é difícil não usar as opções que existem, mas sugere um equilíbrio. “Um certo espírito crítico e não exagerar!”