Tribuna do Leitor

Lei do Silêncio


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Um galo canta, em média, a cada 10 segundos. Seis vezes num minuto, 360 vezes numa hora. Há quem tenha dois galos, portanto, em uma hora, a vítima ouvirá 720 vezes um monótono e irritante cocoricó. A vítima, claro, é sempre o vizinho, porque o dono dos galos geralmente faz o galinheiro bem rente, ou mais próximo, às janelas dos quartos dos outros. O infeliz acorda às duas da madrugada, às quatro, às seis, porque os galos cantam em intervalos, sempre parando para recuperar o fôlego. Indefectível, antes do canto, o bater das asas, que mais representa alguém batendo palmas no portão. O dilúvio de notas estropiadas e repetitivas é uma tortura - sem exageros -, ainda mais que o silêncio da madrugada ajuda na propagação e amplificação do som.

Para remediar a situação, há quem tente tapar os condutos auditivos com algodão, ou silicone, daqueles que nadadores usam para que não entre água no ouvido. Porém, o mais eficaz mesmo seria uma lei, como a que está em projeto, proibindo a criação de galo dentro da cidade. Quem for contra a idéia é porque nunca teve um galo martelando na sua cabeça madrugada afora, por dias e dias seguidos. Deveriam usar galos em penitenciárias - não há tortura maior. (Mas só para crimes hediondos.) O texto do projeto de lei dos vereadores diz que “é proibido perturbar o sossego e o bem-estar público com ruídos... ou som de qualquer natureza...” O limite: 45 decibéis. É mais do que certo que qualquer galinho-cantor ultrapassa de longe os limites suportáveis. O JC do dia 08/12/2002 trouxe um caderno inteiro só falando sobre os distúrbios do sono: Distúrbios do sono podem matar.

Falar de galo... É hilário mas é sério. (Júlio Diogo - RG. 13.913.837-7)

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