A subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Bauru promoveu ontem um encontro para capacitar os sindicalistas da região. Eles puderam discutir temas como a autonomia das entidades e as relações trabalhistas.
Para o palestrante Ariovaldo de Camargo, que também é secretário de finanças da CUT, este tipo de evento faz com que as lideranças locais saiam fortalecidas. “Não é possível que a direção estadual acompanhe de perto todas as negociações que acontecem por aqui. Com essa formação, os dirigentes têm condições de enfrentar melhor as dificuldades”, opina.
Ele acredita que o sindicalismo passa por uma nova fase. “Estamos vivendo um rico momento na conjuntura política, em que é importante você estabelecer um diálogo com toda a base dos sindicatos filiados”, afirma.
Segundo Camargo, a entidade vai brigar pela ampliação dos benefícios dos trabalhadores durante as reformas propostas pelo governo federal. “Principalmente no que diz respeito ao poder normativo da Justiça do Trabalho. O patronado ainda tem em mãos situações em que pode demitir o funcionário sem nenhuma justificativa”, diz.
Já com relação às reformas sindicais, ele defende a liberdade para a existência de mais de um sindicato por categoria. “Estamos ansiosos para que isso seja aprovado. Não é mais possível ver um trabalhador vinculado sem que ele queira. É preciso acabar com o imposto sindical, que continua sendo uma ferramenta para aqueles que não representam nenhum trabalhador”, defende.
O diretor administrativo do Sindicato dos Trabalhadores no Setor do Calçado de Jaú, José Ferreira, afirma que a palestra serviu para que ele pudesse se atualizar. “Todo o debate é bem-vindo. Quanto mais a gente conversa, melhor para nos aprofundar em determinados assuntos. Nós representamos uma base e precisamos estar informados. Muitas vezes acompanhamos pela televisão e jornais, mas não temos a formação suficiente”, diz.
Já a diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Luzia Conceição Quinezi, diz que foi atraída para a palestra por dois aspectos. “Este é um evento extremamente importante para a formação de sindicalistas. Além disso, é uma oportunidade para se fazer um debate em torno das reformas, que são questões pelas quais sempre estivemos lutando”, afirma.