Anhembi - De acordo com o pescador Francisco Golveia, a região onde está localizada a colônia de Anhembi, entre a foz do rio Piracicaba e o rio Tietê, é farta em tilápias e mandis. Francisco afirma que, em média, costuma pescar cerca de 30 quilos de peixes por dia. Mas o lucro do trabalho nem sempre é suficiente.
“O que acontece é que esses peixes são baratos e o combustível e a rede estão muito caros. Um barco a motor fica uns R$ 6 mil e não são todos os pescadores que têm condição de comprar. Além disso, antes a gente não tinha energia elétrica e o custo de vida era mais barato”, explica.
Segundo o pescador Acácio de Oliveira, tempos atrás existiam mais peixes nobres no local, como o dourado e o pintado, entretanto, depois da construção da represa de Barra Bonita, essas espécies tornaram-se mais raras. “A corvina não tinha, mas a antiga (Companhia Energética do Estado de São Paulo) Cesp soltou elas no rio. Depois soltaram a tilápia, mas não é um peixe bom como antes.”
Segundo o professor Vidal Haddad, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, a instalação de hidrelétricas causou o represamento das águas nesse trecho do rio, alterando o habitat natural e predudicando as colônias de pescadores. “O rio era corrente, rápido, de água limpa. Hoje ele é parado, de água estagnada. O ecossistema mudou e isso logo tem os seus reflexos.”
Os peixes como a tilápia e mandi são vendidos de R$ 0,70 a R$ 1,00 o quilo. Além deles, também são encontrados com facilidade no local a traíra, pacu e piranha.