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Moradores reclamam de preconceito

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Para os moradores do bairro, a população de Bauru tem preconceito com o núcleo. “No início, tivemos problemas com a violência e o Fortunato ficou conhecido como um local onde só moravam bandidos. Aqui tem gente boa e ruim, como em qualquer outro logradouro”, garante o presidente da associação de moradores, Arnaldo de Jesus Souza.

Ele acha que um trabalho feito pelas polícias nos dois últimos anos melhorou muito a segurança e a freqüência no núcleo. “Alguns marginais morreram, outros foram embora, porque a polícia intensificou o policiamento aqui. Eles se tornaram minoria e acabaram se refugiando em outros locais. A maioria dos moradores atuais são famílias.”

A cozinheira Aparecida Nogueira Teixeira, 34 anos, está desempregada há cinco anos. “Tenho procurado emprego. Algumas vezes, o empregador quase acerta com a gente, mas quando falamos que moramos aqui, ele desiste.”

Mãe de sete filhos, a mulher lamenta a situação. “Meu marido trabalha na horta e ganha R$ 180,00 mensais. Meu filho mais velho começou a trabalhar em um supermercado na Bela Vista. Eu preciso e sei trabalhar, mas não consigo emprego.”

Para ela, a pior situação é quando os filhos querem comer alguma coisa e a geladeira está vazia. “Eu peço ajuda para os vizinhos, especialmente para minha irmã, que também mora aqui no bairro.”

O trabalho do marido garante o arroz, feijão e verdura na mesa. “A carne, só uma vez por mês. Roupas e sapatos não compramos há mais de cinco anos. Usamos aquilo que ganhamos dos outros.”

Iniciativa privada

Tanto o Serviço Social da Indústria (Sesi) quanto o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) estão dispostos a contribuir com a população do Núcleo Fortunato Rocha Lima. Porém, mesmo com essa ajuda, uma parceria com a iniciativa privada viabilizaria o acesso de todos os necessitados aos cursos que serão oferecidos. Caso um “pool” de empresas encampasse a idéia, patrocinaria o material didático.

O material tem sido um obstáculo para que muitos dos desempregados participem dos cursos profissionalizantes. O curso de corte e costura e moda, oferecido pelo Sesi, exige material.

A chefe do centro de atividades sociais do Sesi, Rosemary de Andrade dos Santos, explica que o Sesi já se faz presente no bairro. “Trabalhamos em parceria com a Casa da Esperança há sete anos.”

Neste período, de acordo com ela, foram e são desenvolvidos cursos de geração de renda, como o de culinária, através do qual as mulheres aprenderam a confeccionar salgadinhos, pães e roscas para que pudessem ajudar no orçamento doméstico.

Além do curso de culinária, a parceria proporciona cursos de agentes de limpeza (doméstica), jardinagem e confecção de lingerie. “Mesmo assim, estamos dispostos a ajudar aquela comunidade. O presidente da associação pode nos procurar que vamos, juntos, estudar projetos que alcancem o objetivo”, garante Rosemary Santos.

O coordenador pedagógico do Senai, Ubirajara Amaral Negrão, sugere cursos rápidos e básicos com a finalidade de gerar renda. “Pedreiro, pintor, assentador de pisos e o básico de elétrica.”

A sugestão de Negrão é a qualificação de um instrutor. “Podemos qualificar um docente sem custo algum, para que ele possa multiplicar as informações. Nós faríamos o acompanhamento didático.”

A prefeitura ou um “pool” de empresas privadas poderiam, na opinião dele, bancar o material didático. “O barracão que a associação dos moradores pode usar foi cedido pela Associação dos Maçons de Bauru e Região.”

Serviço

A Associação de Moradores do Fortunato Rocha Lima fica na rua 13, (Joaquim de Barros Neto, 200). O telefone para contato é o 218-3243.

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