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Reflexões na hora amarga


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Em recente programa de rádio de que tivemos a oportunidade de participar, um dos componentes da mesa de comentaristas e debatedores era um oficial general das nossas FF.AA., o Brigadeiro Ércio Braga, reformado e, por duas vezes, eleito presidente do Clube da Aeronáutica, presidência a que renunciou em razão da posição nacionalista que sempre defendeu e passara a fazer de modo público, o que já não era compatível com a presidência que exercia, não fosse ele mal interpretado como alguém desejoso de prevalecer-se dela para dar maior realce às suas atitudes.

Pois bem; o Brig. Braga, que conhecemos de longa data, no programa de rádio a que fizemos alusão, e que se intitula “Falando a Verdade” e é apresentado e dirigido por um competente radialista, de tendência nacionalista e de coragem indomável, sr. Beto Salóes, teve a oportunidade de assinalar algo que nos despertou a atenção e que julgamos do nosso dever passar ao conhecimento dos que nos honram com a leitura destas “Reflexões”.

Não que o realçado pelo Brig. contivesse alguma novidade. A novidade esteve na correlação nítida que ele fez acerca dos seguintes fatos: avaliam observadores e estudiosos do assunto, que o tráfico de drogas movimenta, a nível mundial, cifras que todos admitem superiores a quinhentos bilhões de dólares anuais, havendo os que chegam a admitir que elas alcancem o patamar dos setecentos e cinqüenta bilhões de dólares. Colossal massa de dinheiro, em qualquer hipótese, que necessita de ser “lavado”, “lavagem” impossível de ser levada a efeito, pelos Dé, Fernandinhos, e quejandos; e que só está ao alcance dos grandes conglomerados financeiros, grandes bancos; a produção das drogas deve alcançar patamares da ordem de centenas de toneladas delas - o que importa no uso de colossal massa de insumos químicos, indispensáveis àquela produção. Enquanto, pois, a “repressão” às drogas e à violência se resumir ao combate aos distribuidores do produto, na ponta dessa distribuição varejista, continuaremos a assistir às mortes de policiais, de miseráveis jovens traficantes varejistas, de inocentes alcançados por balas perdidas, em um desgaste estúpido e inócuo. Enquanto, pois, não se voltar a repressão para a identificação e punição dos “lavadores” de dinheiro e fornecedores de insumos químicos, sem dúvida, grandes fabricantes e distribuidores dos mesmos, continuará a violência, e cada vez maior, enquanto os verdadeiros “barões do tráfico”, em suas luxuosas mansões e em, quem sabe, seus altos cargos administrativos ou legislativos, continuarão a fazer-nos de bobos, na convicção que possivelmente têm, de que de fato o somos.

De nossa parte, tal o sentido que fazem os fatos que acabamos de expor à consideração pela inteligência dos nossos leitores, que hoje, como devem ter observado os que o sejam desde algum tempo, deixamos um pouco de lado, a análise dos fatos que, no panorama internacional, e vistos em plano teórico capaz de, em profundidade, explicar o declínio inexorável em que, supomos, vem resvalando a civilização a que pertencemos, já erodida em seus mais profundos alicerces. Aliás, a própria hipótese acerca de como se passam as coisas a nível do tráfico de drogas e da violência, vistos daquele plano e no nível adequado, são apenas um aspecto denunciador do declínio a que acabamos de referir-nos.

Reflitamos, portanto, e certos de que a verdade acabará por prevalecer, e muito mais depressa do que a maioria supõe. (O autor, Jorge Boaventura, é colaborador do JC)

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