A proposta de inclusão dos portadores de deficiência em escolas regulares é defendida pela rede municipal e estadual de educação em Bauru. Jair Sanches Vieira, dirigente regional de Ensino, afirma que é favorável à inclusão mesmo de portadores de deficiência mental severa, desde que continuem sendo atendidos duas ou três vezes por semana na Apae ou por outro serviço de apoio especializado.
Para Vieira, o portador de deficiência precisa conviver com os alunos tidos como normais. “A convivência com o outro que não tem anormalidade é importante para o crescimento do portador de deficiência. Já tivemos casos de alunos especiais que, ao ingressar na sala regular, teve melhora de linguagem”, relata.
Ele admite que as escolas estaduais precisam passar por mudanças para receber alunos portadores de deficiências mais graves, mas ressalta que elas precisam ser feitas. “Precisamos sim de mudanças físicas e preparo de professores, mas isso precisa começar. Hoje já recebemos alunos com deficiência física e mesmo com deficiência mental menos acentuada e não temos nenhum problema”, completa.
Rute Crispim de Mattos Câmara, diretora da Divisão de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação, concorda com Vieira. Para ela, os portadores de deficiências mental e múltipla precisam passar a freqüentar as escolas regulares, a conviver com colegas considerados normais.
Porém, ela ressalta que, além de adequar fisicamente as escolas às necessidades dos portadores de deficiência, é preciso treinar professores e preparar os pais dos demais alunos para a inclusão. “Não é só construindo uma rampa e adaptando os banheiros que se prepara a escola para a inclusão. É preciso treinamento dos professores e principalmente aceitação da sociedade, dos pais dos demais alunos para que não haja discriminação”, frisa.
As escolas municipais, assim como as estaduais, já recebem portadores de deficiências física e mental leves, segundo Rute. As novas escolas já estão sendo entregues com rampas e banheiros adaptados.
“O ideal é que a inclusão seja feita à medida que houver estrutura física e aceitação por parte dos pais dos demais alunos para isso”, completa.