O Hospital Beneficência Portuguesa de Bauru deve ter sua administração terceirizada nas próximas semanas, devido à crise financeira que afeta a entidade atualmente. O grupo empresarial proprietário da Gocil Segurança é quem deve assumir o hospital, que atende somente pacientes particulares e de convênios médicos.
De acordo com o presidente da diretoria executiva do hospital, Luiz Carlos Mendes, os membros do conselho deliberativo aprovaram a proposta de terceirização anteontem por unanimidade, como uma alternativa à crise financeira que atualmente assola a entidade.
“O conselho aprovou a proposta de terceirização, de uma empresa assumir a dívida e investir para melhorias no hospital. São investimentos que a administração não tem condições de fazer, que não são viáveis sem um capital de giro”, afirma Mendes.
Conforme reportagem publicada pelo Jornal da Cidade no último dia 30, o hospital, que é administrado pela Sociedade Beneficente Portuguesa (SBP), tem dívidas com bancos, fornecedores e empresas terceirizadas, e chegou a comercializar imóveis para sobreviver às dificuldades. Mas atualmente, os bens disponíveis não são alienáveis, ou seja, estão indisponíveis para venda. Além disso, por ser uma entidade privada, a Beneficência Portuguesa não tem direito a isenções fiscais nem recebe subsídios dos governos estadual e federal. A direção do hospital não informou o valor da dívida.
“O hospital não vai fechar, vamos continuar trabalhando. Hoje (ontem), 80% dos nossos leitos estão ocupados. O problema é a falta de capital para novos investimentos, mas o hospital continua viável”, diz o presidente da entidade.
De acordo com Abel Fernando Abreu, vice-presidente do hospital, o objetivo da diretoria e do conselho é prosseguir com o atendimento dos sócios e conveniados. “As vaidades administrativas e pessoais têm que ser deixadas de lado, sobrepujando o interesse coletivo e o bem do sócio e dos que precisam dos préstimos hospitalares da Beneficência Portuguesa”, opina.
Uma das propostas discutidas pelo conselho deliberativo do hospital foi a realização de um empréstimo financeiro em nome dos médicos associados, para o pagamento das dívidas e realização de investimentos, mas a proposta da terceirização foi melhor aceita pelos membros.
Tanto o presidente quanto o vice afirmam que já existe negociação para a terceirização, entre outras, com os proprietários da Gocil Segurança, para assumir a administração do hospital. “Existem compromissos verbais, mas não foi feito nenhum acerto, ninguém assinou contrato nenhum”, esclarece Abreu.
“Nós já discutimos a respeito de um pré-contrato com o grupo que está interessado em assumir a sustentação da entidade. Mas ainda não existe um contrato, estamos ainda definindo as cláusulas”, diz o presidente da diretoria.
Mendes explica que ainda não está definido se uma empresa já existente assumirá a administração da entidade ou se o grupo criará uma nova, especialmente para tornar-se a mantenedora do hospital. O proprietário da Gocil não foi encontrado pela reportagem para dar esclarecimentos sobre a negociação.
O oftalmologista Marcelo Creppe, que faz parte da equipe clínica do Hospital Beneficência Portuguesa, defende que atualmente não há hospitais no País que não estejam passando por situações financeiras complicadas, mas afirma que o atendimento aos pacientes continua sem problemas de qualidade.
“A saúde é cara no Brasil e em uma entidade particular como a Beneficência, a qualidade do antendimento não pode cair e o hospital não pode se afundar em dívidas. As mudanças são sempre para manter a qualidade para os pacientes”, diz Creppe.