Bocaina - Assim que o relógio marcou os primeiros segundos de ontem, centenas de pessoas voltaram suas atenções para o monte de brasas colocado em frente à Igreja de São João Batista, em Bocaina (69 quilômetros a Nordeste de Bauru). Como é feito todos os anos, desde a criação da cidade, algumas pessoas procuram demonstrar fé e coragem andando sobre as brasas incandescentes.
Não há um número mínimo ou máximo de participantes. Este ano, oito pessoas se dispuseram a andar sobre as brasas. Nos 113 anos de Bocaina, nunca houve uma noite de São João (padroeiro da cidade) sem a tradicional caminhada de fé e coragem.
Segundo moradores, às vezes algumas pessoas se queimam durante a travessia, mas sempre há alguém com coragem suficiente para aceitar o desafio.
Em razão do feriado, alguns funcionários da Santa Casa de Bocaina não trabalharam ontem. Por esse motivo não foi possível saber se algum dos aventureiros precisou ser medicado por causa de queimaduras.
Antes da caminhada sobre as brasas houve show sertanejo. Depois dela, teve início a quermesse, que segue até 13 de julho.
Morte
No distrito de Tupi, em Piracicaba, o pesquisador aposentado do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Antônio Carlos Moniz, 67 anos, morreu na manhã de ontem depois de sofrer queimaduras ao atravessar um braseiro durante a tradicional festa de São João realizada na noite anterior.
De acordo com os organizadores da festa, logo depois de atravessar o braseiro, Moniz começou a passar mal e recebeu atendimento médico de emergência no próprio local. Ele foi levado para o hospital, onde morreu na manhã de ontem.
Não foi divulgada nenhuma versão oficial sobre a causa da morte de Moniz, mas parentes do pesquisador informaram ontem que ele teve um derrame depois de uma crise de pressão alta, ocorrida em consequência de queimaduras. Outra causa possível seria um enfarte.