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Outra guerra, não!


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Todos estavam convictos de que, detonado o derradeiro tiro no conflito entre Estados Unidos e Iraque, viesse a ser encontrado, imediatamente, o caminho de duradoura paz universal, pois não haveriam razões bastante para que outras contendas pudessem espoucar e sacrificar mais vidas humanas. Puro engano! Não é esse o panorama hoje, porquanto as últimas notícias esparramadas surpreendem dando conta de que as esperanças de pacificação no Oriente Médio estão morrendo, apagando-se inapelavelmente por força de penosas operações israelenses contra amplos grupos islâmicos. Diante do que ocorre, representantes dos países responsáveis pela elaboração do novo plano de paz na região começam a considerar a hipótese de que estão perdendo seu precioso tempo, ainda que estejam dispostos a não desistir de brigar heroicamente pela pacificação. Que seria uma briga ingrata não se contesta, tendo-se em conta que as demarches conciliatórias caminham tal qual as débeis plantinhas que nascem entre as pedras do calçamento e ali vão perdendo vitalidade até se extinguirem languidamente... Então, que os promotores da paz não considerem suas gestões como os muitos casos perdidos disseminados pelo mundo e prossigam corajosamente seu trabalho sem o menor desfalecimento, como deseja o resto do universo, que não aspira a viver novamente as angústias da guerra iraquiano-estadunidense. Não lhes faltem inspiração, talento e energia espiritual para transformarem intelectualmente em coração generoso as covas das plantinhas indefesas e consigam induzir os litigantes a se entender e harmonizarem plenamente em suas divergências políticas e pessoais, que não levam a nada a não ser pincelar intranqüilidade em seus tristes cenários e, o que surge como pior, nas demais nações, cujas pacíficas populações tremem de pavor, assustadas com as perspectivas de outra conflagração tão imediata, tão intempestiva, antes mesmo que os milhares de feridos que sobraram da anterior sejam devidamente recuperados e as muitas famílias que perderam pais e filhos em Bagdá e outras regiões retirem o luto de suas pesadas vestes. Falece qualquer propensão de partir para outra, começando tudo de novo, com tão funestas consequências tanto humanas como financeiras. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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