Sim, eu sei... Às vezes, ficamos tão magoados. Nem sempre esperávamos aquela palavra ríspida e grosseira, aquela desatenção, aquele pouco caso. A coisa acontece sem que possamos entender efetivamente como foi e, quando percebemos, a situação já está instaurada. Ficamos amargando um ressentimento, às vezes, por horas, dias, semanas, meses, anos. Nem sempre temos a oportunidade de nos reconciliar e voltar às boas. Algumas palavras calam fundo em nosso coração. Muitas realmente são ditas com maldade e intenção de ofender, outras surgem do descuido, quando irritados falamos sem pensar a primeira coisa que nos vem à mente. Devemos tomar cuidado com o que dizemos. “Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação...” (Ef. 4,29)
Nossas palavras acabam determinando o “clima” do ambiente em que vivemos. Ninguém gosta de ser ofendido ou magoado, entretanto, quando tais situações ocorrem repetidas vezes, acabam implicando numa certa prevenção das pessoas, que já não nos ouvem com a devida atenção e entusiasmo, mas o fazem por pura tolerância, e guardam em si inúmeras mágoas. A Palavra de Deus nos aconselha a não cultivar tais situações: “Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento” (Ef. 4, 26)
Recentes pesquisas apontam quão saudável é o ato de perdoar, principalmente para aquele que foi ofendido e resolve por um ponto final na contenda, mal entendido, rusga, enfim, naquilo que o magoou. A pessoa se sente leve e descontraída. Tem a sensação de livrar-se de um grande peso. E realmente ocorre dessa forma. A neurolingüística nos mostra que aquilo em que acreditamos norteia toda a nossa vida. Acredite no amor e o amor se revelará a você. Cultive o ressentimento e toda a sua vida estará envolvida pela onda de pesar que o acompanha. É muito importante assimilar um de seus princípios básicos: todo comportamento tem sempre uma intenção positiva. Assim, se você foi magoado, creia sinceramente que quem o fez, pensou em assegurar o melhor para si mesmo e não o pior para você.
Perdemos muito tempo lançando maldições a quem nos ofendeu e magoou. Isso nos causa profundo mal-estar. Não fomos feitos para alojar ressentimentos. Não temos condições de buscar a felicidade com o peito cheio de rancor. “Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós... sede, uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros...” (Ef. 4, 31-32)
Precisamos aprender a relevar, deixar pra lá, perdoar. Se nosso peito está cheio de desgosto e tristeza fica difícil colocar algo mais; provavelmente transbordará. Esvaziemos nosso coração de todo pesar e facilmente poderemos enche-lo com tudo o que há de bom. (A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é psicóloga - e-mail: mrghtin@ig.com.br - www.meguia.net/buscandoafelicidade)