A palavra Xingu já desperta a curiosidade de só de pensar nas histórias narradas pelos sertanistas Orlando e Cláudio Villas Bôas. A curiosidade de visitar aquele lugar mágico, distante e pouco conhecido pela maioria dos brasileiros povoa o imaginário dos amantes da natureza, de seus cheiros e suas cores.
E é mesmo assim... O Xingu guarda riquezas para aqueles que desejam sentir sua energia, sem nada tirar ou deixar. Localizado ao Norte do Mato Grosso, o Alto Xingu é a região mais próxima da nascente oficial do rio Xingu, no encontro dos rios Kuluene e Sete de Setembro. A região faz parte da Bacia Amazônica e apresenta uma rica variedade de espécies de peixes, pássaros e animais.
Marco da localização da mais importante reserva indígena brasileira, o Parque Nacional do Xingu, a expectativa e a ânsia de encontrar tribos indígenas são inevitáveis. O que não é impossível. Apesar da área do Parque ser restrita, indígenas de várias etnias percorrem a região para comercializar seu artesanato e também fiscalizar a atuação dos “caraíbas”.
Infelizmente, o Xingu ainda é freqüentado por pessoas que, com o título de pescadores, levam toneladas de peixes de suas águas acolhedoras. O desmatamento para abrigar o plantio da soja ou servir de pasto para bovinos também é uma preocupação constante daqueles que vivem em sintonia e respeito com o meio ambiente.
Outro risco é a “invasão do homem branco” em detrimento à cultura indígena. Os índios temem a poluição das águas pelos agrotóxicos, o assoreamento e a escassez dos cardumes, sua principal fonte de alimentação.
Há tempos, o indigenista Orlando Villas Bôas preocupava-se em como seria o contado dos povos indígenas com o homem civilizado. “O Xingu não deve, a exemplo de outras áreas infelizes, ver seus índios saírem das áreas da Reserva para procurar bens nas mãos de particulares. Ingênuo, ele será escravizado, terá sua família dissolvida. E se isso acontecer, nós veremos os tristes espetáculos de índios maltrapilhos, tristes, marginalizados, primeiro pela sociedade que tem a obrigação de protegê-los”, observou ele em uma entrevista no ano de 1973. (O Estado de São Paulo - 20 de novembro)
____________________
Um lugar para o pescador esportivo
O Alto Xingu impressiona o pescador esportivo, pois as águas dos rios Kuluene, Sete de Setembro e do próprio Xingu, formado do encontro dos dois primeiros, escondem grande variedade em espécies de peixes altamente esportivos.
São cachorras, bicudas, matrinxãs, cachorras-facões, tucunarés, traíras, entre outras espécies de couro bastante procuradas, como a pirarara, cachara, jaú e a famosa piraíba, que chega a pesar mais de 150 quilos. Outras espécies de menor tamanho, mas igualmente esportivas, como a voadeira e o pacu prata, completam o diagnóstico de uma região que permite ao pescador aventurar-se em iscas naturais, artificiais e, curiosamente, o fly.
O principal, no entanto, é a postura do pescador esportivo, que pratica o pesque e solte, evita o uso de farpas e só captura algum exemplar para saborear no rancho, no entardecer do dia. Afinal, difícil encontrar um pescador que não aprecie um bom pescado.
Nesta edição especial sobre o Alto Xingu, a reportagem pretende mostrar a riqueza da região e, principalmente, convidar os leitores a abraçar uma campanha contra a pesca predatória que ainda ocorre em todo o nosso País. Praticar o pesque e solte é fundamental.
Leia mais matérias sobre o assunto