Turismo

Pescaria reúne vários Estados

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

Pode parecer exagero, mas é bem provável que a “expedição” realizada por um grupo de pescadores no Alto Xingu, no período de 30 de maio a 8 junho deste ano, tenha sido um fato inédito na história da pesca brasileira. Vários fatores contribuem para isso.

A primeira curiosidade é que o contato principal do grupo de 25 pescadores, dos quais 20 homens e cinco mulheres, foi a Internet (matéria publicada neste suplemento no dia 10/4/2003). A maioria das pessoas não se conhecia e nunca havia pescado no Xingu, fato que deixava tudo ainda mais instigante.

A primeira iniciativa ocorreu por meio do proprietário do Rancho Xingu, localizado às margens dos rios Kuluene e Sete de Setembro, onde nasce o rio Xingu, e do pescador e representante comercial do ramo fotográfico Nelson Cordeiro Maciel Filho, 47 anos, de Curitiba.

O site “Tupiniquim Brazilian Fly Tyer Team” (www.tbftt.com.br) foi o responsável pela união de uma turma tão eclética. Nelson Maciel fez a proposta no site a outros pescadores, que foi muito bem recebida. Um dos responsáveis pelo site, o administrador de empresas e webmaster Geraldo de Barros Monteiro, 54 anos, de São Paulo, preparou um link com todas as informações da pescaria.

Além de pescar, o grupo estava preparado para um desafio: testar o fly no Xingu. Isso porque, segundo o gerente do Rancho, Dercio José Muniz, 43 anos, nunca um grupo de pescadores de fly havia freqüentado a região. Quais seriam as possibilidades da pesca com mosca, em um local ainda inexplorado? O desafio instigou ainda mais os pescadores, que fizeram pesquisas em revistas, sites e vídeos, prepararam iscas diferentes, trocaram informações e, a cada dia, alimentavam os desejos da pescaria.

O grupo acabou reunindo pessoas de diferentes regiões e modalidades de pesca. Pescadores do Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, São Paulo e Rio de Janeiro pescaram com iscas artificiais, naturais e na mosca (fly). A região surpreendeu e fez com que o grupo já marcasse uma nova viagem para o próximo ano. Desta vez ainda mais preparados.

Descontração e amizade

O clima de “velhos” amigos foi o que prevalesceu durante toda a viagem. Mesmo enfrentando um percurso bastante complicado, que exigiu mais de 30 horas de ônibus, em estradas nem sempre em condições, o que notava-se era a relação que se fortalecia entre as pessoas.

No Rancho Xingu, nos momentos de descontração ao lado da churrasqueira ou da mesa farta, os pescadores trocavam iscas, sugestões, repelentes (indispensável!) e brincavam um com o outro. A torcida para o sucesso de cada um na pescaria, sempre foi um diferencial.

O grupo, comentou o gerente do Rancho Xingu, foi realmente diferenciado. A começar pela postura da prática do pesque e solte. “Hoje, infelizmente, 80% dos grupos que pescam, querem levar a cota máxima de peixes. São 20 quilos e mais um exemplar de qualquer tamanho”, comenta Muniz. Os poucos peixes capturados, a maioria foi consumida no próprio rancho, deliciosamente preparados pela equipe de cozinheiras.

Sashimi de matrinxã ou tucunaré era devorado pelos pescadores. Peixes fritos e assados também foram saboreados, como a cachorra, que mesmo com suas espinhas, ficou excelente assada.

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