Economia & Negócios

Economia & Negócios

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

• Safra

A safra agrícola deste ano será ainda maior do que o previsto. No levantamento de maio (em relação a abril) divulgado ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aumentou em 1,93% sua estimativa para a produção de 2003. Segundo os dados do instituto, a safra deverá alcançar 118,544 milhões de toneladas, com crescimento de 22% em relação à safra anterior - que foi de 97,13 milhões de toneladas.

• Capitalização

O clima favorável para quase todas as culturas do País foi o principal responsável pelo aumento da previsão. Em segundo lugar, conforme aponta o IBGE, está a capitalização dos produtores agrícolas nos últimos anos, com a melhora no preço internacional das principais “commodities”. Isso também permitiu maiores investimentos em tecnologia no campo, o que garantiu maior produtividade nas áreas de cultivo.

• Milho

De acordo com as previsões do IBGE, a cultura que registra o maior crescimento na safra deste ano é o milho safrinha (segunda safra) - responsável por 58,07% do resultado total -, que ainda será colhido. Parte deste crescimento deve-se à recuperação da cultura, que teve forte quebra no ano passado em função das más condições climáticas. Já a primeira safra do milho, concluída em todo Brasil, registrou crescimento de 17,81%.

• Soja

Outra previsão é de que a soja registre um aumento de 24,73% sobre a safra anterior, e o trigo, crescimento de 45,19%. Para os técnicos do IBGE, não resta mais nenhuma dúvida de que o Brasil vai ultrapassar a barreira dos 100 milhões de toneladas nesta safra. A área plantada no País cresceu 8,67%, sendo os maiores aumentos registrados na área de milho safrinha (22,46%) e na cultura do sorgo (41,25%). A única exceção entre os grãos foi o arroz, que teve queda de 1,38% na área plantada.

• Crédito

As metas do programa de massificação do crédito, que foi anunciado anteontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, podem ser resumidas pelo tripé consumo, emprego e renda. Com o alvo voltado a estes três focos, o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF) vão trabalhar no objetivo de ampliar o crédito, principalmente entre os trabalhadores do setor informal e população de baixa renda. Para ampliar o consumo e reativar a economia, os dois bancos estão lançando novas linhas de crédito, com taxas menores de juros.

• Estímulo

Para estimular a aquisição de bens de consumo, o Banco do Brasil também vai entrar no segmento de consórcio. Na lista estarão produtos como eletrodomésticos, máquinas agrícolas e automóveis. O BB criou uma empresa para operar exclusivamente neste segmento. O governo federal acredita que a elevação do consumo provoque efeitos positivos no emprego e na renda da população. A tese é de que as empresas serão obrigadas a contratar, ou manter os atuais funcionários, dentro de uma economia aquecida.

• Consumo

Para elevar o consumo, uma das armas é o projeto de bancarização, que envolve tanto a abertura de conta corrente para quem não tem como comprovar renda, quanto a expansão da rede de correspondentes bancários. Estima-se que existam cerca de 6 milhões de pessoas com potencial para movimentar uma conta corrente, mas que não possuem esse vínculo por falta de capacidade de comprovação de renda. A CEF já acelerou o processo de abertura das chamadas contas simplificadas.

• Microcrédito

Outros bancos também poderão abrir contas simplificadas, e será por meio delas que o trabalhador da economia informal, pequeno empreendedor e desempregados com vocação para abrir o próprio negócio terão acesso facilitado ao microcrédito. Muito ainda há para fazer, como a ampliação dos pontos de atendimento bancário. Mas de qualquer forma, já estava mais do que na hora de ser tomada uma atitude como essa.

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