Foi com um misto de surpresa e indignação que tomamos conhecimento pela imprensa e também em reunião realizada dia 25 p.p. na Apae, da Resolução da excelentíssima senhora procuradora federal Eugenia Augusta Gonzaga Fávero, determinando que seja realizada a inclusão de pessoas portadoras de deficiência mental na rede pública de educação. Quem convive com essas pessoas sabe perfeitamente das dificuldades que elas têm, não só em adaptar-se, mas também em conviver fora de seu habitat. A inclusão dos alunos que possuem condições de aprendizagem já é feita pela Apae há algum tempo: alunos são colocados na escola pública e acompanhados durante algum tempo até que se adaptem e isso também é feito no mercado de trabalho com os mais velhos. Mas sabemos que o potencial deles é diferenciado. Existem “crianças” (chamamos todos eles de crianças) que usam fraldas (adultos também com incontinência urinária), outros são hiperativos e não conseguem ficar dois minutos parados, outros ainda falam sem parar... como adequar essas pessoas em salas de aula? A Apae, principalmente a nossa de Bauru, é muito bem aparelhada nas diversas áreas como: fisioterapia, psicologia, terapia ocupacional, música, teatro, e isso foi conseguido com a ajuda da comunidade, nesses 50 anos de bom atendimento à pessoa portadora de deficiência mental. O que fará uma professora pública, quando seu aluno com paralisia cerebral tiver uma convulsão em sala de aula? As pessoas da Apae possuem cursos de formação em educação especial. Todos conhecem a situação da escola pública, as queixas quanto às instalações, etc, etc,... E olha que estamos no Estado de São Paulo, carro chefe da Federação. Vocês já imaginaram ou tomaram conhecimento como é a escola pública em regiões menos favorecidas? Porque a abrangência dessa solução é em nível nacional! Não seria conveniente primeiro realizar as adaptações, para depois a rede pública ir recebendo paulatinamente as “crianças”? Não seria também de muito bom senso capacitar professores da rede pública para receber os alunos que precisam de atenção especial e muito tempo extra? Não será essa uma decisão precipitada? Convocamos todas as pessoas envolvidas ou não com alunos especiais, para que de alguma forma mostrem seu repúdio e indignação a essa “sentença de morte” que as Apaes de todo o Brasil receberam. (Marilene Z. Paciello - RG 2.278.345 - João Aldo Paciello - RG 19.990.75)
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