Avaí - Na opinião de líderes indígenas, com o desenvolvimento da agricultura nas aldeias será possível retirar gradativamente os índios de trabalhos de bóia-fria nas fazendas da região.
Segundo o chefe do posto Nimuendaju, Silvan Barbosa Moreira, essa é uma grave realidade que tem sido vivenciada pelas famílias indígenas. Mesmo sendo dono de terras, com a falta de recursos e o crescimento das dificuldades, muitos índios procuram empregos nas lavouras de café para ganhar em média R$ 40,00 por semana.
“Os índios tem a terra deles, mas precisam de recursos para poder trabalhar a terra. Se não têm, o jeito para eles darem sustento à família é trabalhar fora como bóia-fria. E isso é uma falta de humanidade”, afirma.
Na Ekeruá, segundo o cacique Jazoni de Camilo, a atividade agrícola ainda não tem sido suficiente para suprir a demanda, e cerca de dez índios continuam trabalhando em fazendas como bóia-fria.
Além dessa atividade externa, parte das famílias sobrevivem com a aposentadoria dos mais velhos.
Na Pyhau, o problema é semelhante: dez dos 11 líderes de famílias trabalham nas lavouras das fazendas. “É uma grande preocupação porque nem todos os fazendeiros tratam bem os índios. Sempre pagam muito pouco. De certa forma somos explorados. O objetivo do projeto agrícola é acabar com isso”, observa o cacique Reginaldo Marcoline.