Tribuna do Leitor

Cebeça de barro e coração de pedra


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A conclusão que posso chegar em relação àqueles que acham que “enfiar” as crianças portadoras de deficiência múltipla e mental em escolas regulares, tirando-as das instituições especializadas, como a Apae, é que são pessoas que têm a cabeça de barro e o coração de pedra. Não é possível! Dizer que sendo educadas na Apae serão sempre discriminadas é, no mínimo, desrespeitar o trabalho desenvolvido pela entidade e o direito daquelas crianças de serem felizes sendo elas mesmas. E colocá-las nas escolas regulares da forma como se pretende, é submetê-las de fato à discriminação, pois nem os profissionais de ensino, nem os alunos e nem os pais estão preparados para trabalhar, conviver, respeitar e não discriminar assim, de uma hora para outra! O que mais me incomoda é o jogo político que deve estar por trás disso tudo: - a velha política da exclusão onde “direito virou privilégio”. É preciso respeitar o direito daquelas crianças de serem atendidas com educação adequada, no lugar certo e com pessoas certas. E não o contrário. A inclusão pode ser melhorada com uma dotação orçamentária às instituições especializadas e responsáveis, suficiente para o seu bom funcionamento material, físico e humano e não com declaração de intenções. Afinal, os diferentes são diferentes aqui ou acolá, o que precisam é ser iguais no respeito e nos direitos e isso a Apae, mesmo com parcos recursos, vem cumprindo muito bem, com a cabeça e o coração sincronizados no profissionalismo, na compreensão e no amor. O resto é pensamento mole e sentimento duro. É falácia! Com a palavra as autoridades (Duílio Duka de Souza - professor)

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