A distribuição de kits de segurança foi o destaque de um passeio ciclístico realizado ontem, em Bauru. De acordo com a Polícia Militar (PM), cerca de mil pessoas participaram do evento e 500 kits contendo refletores traseiros, dianteiros e laterais para bicicleta foram distribuídos. O passeio teve apoio do JC.
O passeio - que contou com a participação de muitas famílias, -, teve início às 10h, em frente a empresa Bünge Alimentos, na Vila Independência. Os ciclistas percorreram diversas ruas do bairro e retornaram ao mesmo local, num percurso de seis quilômetos.
O evento marcou o encerramento da campanha “Viva bem em duas rodas”, atividade organizada pela 4.ª Companhia da PM e desenvolvida durante todo o mês de janeiro com o objetivo de reduzir as mortes no trânsito.
O programa abordou diversas práticas educativas, como um bloqueio para usuários de motocicletas e bicicletas, palestras e distribuição de panfletos com orientação para usuários de veículos de duas rodas.
O objetivo é conscientizar os ciclistas e motociclistas sobre a importância do uso de equipamentos de segurança em seus veículos, visando reduzir as mortes em acidentes de trânsito. O tenente Jorge Luís Dias, comandante da Base de Trânsito da PM, conta que nesse ano, as mortes envolvendo ciclistas vêm aumentando. “Foram três óbitos até o meio do ano”, alerta.
“Existe uma grande preocupação da polícia em realizar um trabalho de prevenção para que, num futuro próximo, possamos reduzir esses índices”, aponta Dias. Ele explica que a “Viva bem em duas rodas” faz parte da campanha permanente de redução de acidentes de trânsito, coordenada pela PM.
Kit de segurança
O principal objetivo da campanha “Viva bem em duas rodas” foi incentivar os ciclistas a utilizarem o equipamento de segurança. O famoso kit para bicicletas é composto por quatro refletores: um vermelho na traseira; outro branco ou amarelo na dianteira; e outros dois, de qualquer cor, nas laterais.
O soldado Lacerda, que atua no policiamente de bicicleta há três anos, explica que é importante ter um refletor vermelho na parte de trás da bicicleta porque é uma cor internacional de segurança. “Além disso, a partir do ano 2000, tornou-se obrigatório para bicicletas acima do aro 20, o uso de um retrovisor do lado esquerdo sem haste de sustentação e uma buzina que pode ser mecânica, pneumática ou elétrica”, detalha Lacerda.
Embora não seja obrigatório, o uso de capacete por ciclistas é outro equipamento essencial para garantir a segurança dos condutores de bikes. “A bicicleta é um veículo leve, algumas têm mais de 20 marchas e dependendo do modelo, ela pode atingir mais de 60 quilomêtros por hora”, diz Lacerda.
“E, num acidente de trânsito envolvendo uma bicicleta nessa velocidade, a pessoa pode sofrer lesões graves”, observa o soldado, enfatizando que o uso do capacete é uma prática recomendada pela PM. “Um capacete custa em média de R$ 20,00 a R$ 30,00. Vai da consciência de cada um usá-lo ou não”, explica.
A advogada Raquel Caldas Teodoro Delgado, que levou o marido e os dois filhos para participar do passeio, conta que se preocupa com o uso de equipamentos de segurança. “Fomos à palestra que teve antes do evento e nós equipamos nossas bicicletas aqui”, diz a advogada, que se preocupou em colocar um capacete em seu filho maior e manter o caçula em uma cadeira infantil ajustada na parte da frente da bike de seu marido.
Para o policial militar Willian Oliveira da Silva, que fez questão de levar seu filho e seu pai para o passeio, a atividade educativa é fundamental. “Vimos muitos acidentes envolvendo ciclistas e na maioria dos casos, por falta do uso do equipamento de segurança”, aponta Silva, que foi buscar os kits para toda a família no passeio.
Ana Paula Maia Mendes, que utiliza a bicicleta para trabalhar e passear, conta que mantém todos os equipamentos obrigatórios de segurança em sua bike. “Tenho todos os refletores e buzina. Só falta o capacete, que pretendo comprar logo”, comenta.
Ela revela que a campainha da bicicleta já a salvou de um acidente. “Uma mulher me fechou numa esquina e, se não fosse a buzina, algo ruim teria acontecido”, diz a ciclista, reclamando que os outros motoristas dificilmente respeitam os condutores de veículo de duas rodas.
Conscientização
Apesar da realização de campanhas educativas que alertam para o uso de equipamentos de segurança, a PM ainda encontra dificuldades para punir os casos de acidente envolvendo condutores de veículos de duas rodas.
O soldado Lacerda explica que o Código de Trânsito Brasileiro ainda não regulamentou o artigo que autoriza a punição para os ciclistas que não utilizarem equipamentos obrigatório de segurança no trânsito.
“Embora existam as regras de circulação e conduta, nós esbarramos em uma dificuldade: como autuar. Quando o ciclista fica impune, ele pode cometer várias infrações e, muitas vezes, paga com sua própria vida”, diz.