Não seja o título levado expressamente como ironia jornalística, pois ele apenas abre espaço para focar as avançadas e bruscas elevações de preços atingidas pelos remédios farmacêuticos em geral. Ainda na semana que transitou, o governo federal manifestou-se contra os absurdos, baixando Medida Provisória destinada a estancar a ininterrupta progressão dos custos de tais produtos, de tão imprescindível serventia pública e, por isso, todos eles exigindo mesmo a intervenção governamental. Cerca de 8.500 tipos de remédios, cujas cotações vinham se alternando abusivamente desde janeiro, tiveram seus avanços sobrestados pelo ato do novo chefe da Nação, aparentemente disposto a cumprir ao menos um pouquinho suas lembradas promessas eleitorais. Foi - como destacamos - remédio certo enfrentando certamente os custos das drogas, nas quais o povão é obrigado a embarcar amiúde e que terão de ficar estacionados algum tempo nos patamares que a administração nacional acaba de lhes estabelecer. A medida se impunha porquanto desde as cartelinhas de analgésicos até as embalagens medicamentosas maiores, espalhadas fartamente nas prateleiras das farmácias e drogarias das cidades, vinham se valendo do inverno para se esquentarem agasalhadas em colchas e cobertores economicamente aconchegantes. Não se admitia que a volúpia continuasse indiferente neste País onde a superavaliação de tudo que se compra há muito navega em águas soltas rumo ao mar do encarecimento, tanto assim que há por aí muita gente sem condições até para adquirir meio quilo de feijões e, então, muito menos para levar a seus doentes um envelopinho de quatro analgésicos. Conclui-se, conseqüentemente, terem os consumidores esperado muito, com a paciência de Jó, sem nenhum protesto, pela adoção e publicação da MP salvadora de sua saúde e, por isso, passam a aguardar que o belo Palácio do Planalto mantenha bem aceso o fogo sagrado de sua resistência contra o despropósito, que malversa não só as finalidades dos produtos farmacêuticos mas, paralelamente, as de combustíveis, telefonia, eletricidade e tributos, os quais também estão mandando o custo de vida para grandes alturas e impedindo que a coletividade diga algumas palavras a mais nos telefones, passe as suas noites sob alguma claridade doméstica e tendo, por outro lado, de manter suas quatro rodas anestesiadas em suas garagens. Remédio é para salvar e não matar... É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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