Regional

CR de Jaú será inaugurado em agosto

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Jaú - O Centro de Ressocialização (CR) de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru) será inaugurado no próximo mês de agosto, segundo informações do coordenador das unidades prisionais da região Noroeste do Estado, Antonio Paulo Veronezi.

As obras, orçadas em 3,8 milhões, já estão em estágio de finalização. “Ele está semi-pronto. A inauguração está prevista para meados de agosto”, reitera o coordenador.

Na última sexta-feira, o governador Geraldo Alckmin publicou um decreto no Diário Oficial do Estado, estabelecendo a estrutura da organização do CR.

O prédio, de segurança média, atenderá presos do regime fechado, semi-aberto e provisório de Jaú e região. No total, a unidade tem capacidade para abrigar 210 detentos de baixa periculosidade, do sexo masculino.

Segundo Veronezi, na região já existem quatro CRs em funcionamento, nas cidades de Marília, Araraquara, Avaré e Lins. Em todo o Estado, são 15 unidades.

O coordenador afirma que uma das principais características desses presídios é a administração conjunta do Estado com uma organização não-governamental (ONG). A entidade, sem fins lucrativos, é responsável pela prestação de serviços assistenciais nas áreas educacional, social, religiosa, psicológica, de saúde e trabalho. Em contrapartida, cabe ao Estado a manutenção da segurança e disciplina.

“Essa parceria tem dado excelentes resultados. São eles (a ONG) que contratam os técnicos, arrumam empresas para o preso trabalhar, arrumam advogado, dentista, entre outros”, afirma.

Segundo o coordenador, nessa relação, o Estado repassa a verba por preso e a entidade administra de modo geral a aplicação dos recursos, prestando contas ao governo.

Em Jaú, a responsável pela administração do CR será a Ong Pró-cidadão Jaú, cujo presidente é Francisco de Conti.

“O novo CR deve funcionar muito bem, porque a cidade é um grande centro de calçados. Com certeza o preso terá serviço, porque já tem vários empresários com interesse em usar a mão-de-obra deles”, adianta o coordenador.

O presidente da ONG não foi localizado para falar sobre o assunto.

Vantagens

Segundo Veronezi, o custo do preso dos CRs é mais barato para o Estado. Nas penitenciárias, atualmente, o valor está em torno de R$ 670,00 ao mês. “Nos CRs não chega a R$ 500,00. Porque nessas unidades tem menos funcionários, o número de pessoas é menor e, conseqüentemente, as coisas se tornam mais organizadas”, afirma.

Outra vantagem apontada pelo coordenador no funcionamento do CR é o fato de o local abrigar menor quantidade de presos, quando comparado a uma penitenciária. Somado a isso, segundo o coordenador, os detentos são necessariamente de baixa periculosidade e permanecem próximos às famílias, o que facilita o trabalho de ressocialização. “Tudo aquilo que encontra certas barreiras numa penitenciária, num Centro de Ressocialização é mais facilitado, porque o preso é da cidade, ele quer permanecer ali porque está perto da família; por outro lado ele é de menor periculosidade, então ela já aceita o trabalho a ser desenvolvido”, afirma.

Segundo apurou a reportagem, a previsão é de que o CR de Jaú seja inaugurado no dia 15 de agosto, data do aniversário da cidade. O prédio, que começou a ser construído em julho do ano passado, está localizado no quilômetro 188 da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), distante cerca de cinco quilômetros da cidade.

Estrutura

De acordo com Veronezi, o Centro de Ressocialização não possui celas e grades, mas sim alojamentos abertos.

Os presos tem a liberdade de circular por toda a parte interna da unidade durante o dia.

“A maioria dos presos não passou pelo sistema penitenciário e não tem vínculo com a contra-cultura carcerária. O CR em nada lembra uma penitenciária. O preso fica ali pela consciência e pela vontade de se reabilitar”, afirma Maria de Lourdes Kerche do Amaral, diretora do CR de Lins, que está acompanhando o processo de implantação da unidade em Jaú.

Seguindo a mesma característica dos demais CRs do Estado, em Jaú o espaço contará ao todo com 16 alojamentos, salas de convivência, oficinas de trabalho e salas de aula, lavanderia, cozinha e refeitório.

A conservação do prédio será feita por presos, que atuarão na limpeza, cozinha e manutenção da horta, sob a supervisão de um grupo de segurança e disciplina.

Além disso, segundo a diretora, no local serão desenvolvidas diversas atividades produtivas, profissionalizantes e educacionais, cujo objetivo é proporcionar condições para a reintegração social do condenado.

“Com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), a ONG de Jaú já está em negociações avançadas para fornecer aos presos cursos profissionalizantes”, afirma a diretora.

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Cadeia

Segundo o coordenador das unidades prisionais da região Noroeste do Estado, Antonio Paulo Veronezi, não há informações sobre a desativação da Cadeia Pública de Jaú após a inauguração do Centro de Ressocialização.

Entretanto, segundo apurou o JC junto a Polícia Civil, já existem movimentações nesse sentido. O delegado Seccional de Jaú, Benedito Antônio Valencise, não foi encontrado ontem para falar sobre o assunto.

Veronezi adianta que nem todos os presos da Cadeia de Jaú poderão ser abrigados no novo espaço. “Todo detento antes da remoção passará por um avaliação de tipo social e só depois será autorizado a ser encaminhado ao CR. Não é qualquer preso que será autorizado. Ele tem que ter um perfil social e psicológico adequado”, explica.

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