Cultura

"MPB 70"

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

O designer e fotógrafo bauruense Fernando Azevedo guarda em casa há mais de trinta anos um pequeno tesouro. São fotos de vários artistas consagrados da música brasileira clicados por ele no ano de 1970, quando morava no Rio de Janeiro e produziu capas de mais de 40 discos de nomes como Elizeth Cardoso, Pixinguinha e Isaura Garcia, entre outros.

A partir das 20h30 de hoje, no Templo Bar, o público local poderá apreciar as obras pela primeira vez, na exposição “MPB 70”, que depois de Bauru deve seguir para São Paulo e Rio de Janeiro, onde o acervo tombado pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) carioca.

São 40 fotos selecionadas de shows e ensaios. Estão lá: Cartola, Ismael Silva, Milton Nascimento, Tom Jobim, João Bosco, enfim, um Olimpo da MPB, que Azevedo - um apaixonado por música brasileira - registrou da maneira mais natural possível. “Eu vivenciei aquilo que fotografei, cada momento. Isso dá outra densidade ao trabalho”, diz o fotógrafo.

Azevedo morou no Rio de Janeiro no final dos anos 60, onde estudava arquitetura e, depois, desenho industrial. A fotografia era um hobby da adolescência que se tornou quase profissão por obra do compositor e “(re) descobridor” de talentos musicais Hermínio Bello de Carvalho, que o apresentou a Elizeth Cardoso, uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, que se tornou sua amiga.

Azevedo fez a capa do disco da cantora, que morreu em 1990, mas em vida foi apelidada com justiça de A Divina, e não parou mais até voltar para Bauru, em 1971. Foi pouco tempo, mas o suficiente para criar um acervo visual raro, pela seleção, de primeiríssima qualidade, e pela plasticidade. Todas em preto e branco, as fotos de Azevedo reproduzem não apenas a figura, mas o espírito do momento.

“Nunca usei flash, usei a luz como minha amiga para conseguir pegar a melhor parte da alma da pessoa”, afirma o fotógrafo, cujas fotos estão sempre sendo requisitadas para compor obras de tributo. “Fotos minhas foram usadas no centenário do Pixinguinha, no livro sobre Clementina de Jesus e na coletânea de Dalva de Oliveira”, lembra.

Na próxima semana, o lançamento de “A Faxineira da MPB”, uma coletânea de Elizeth, pela Biscoito Fino, também trará fotos de Azevedo, que não sabe explicar porque demorou tanto tempo para expor seus tesouros. “Nunca gostei de estar no foco do holofote. Acho que era uma timidez e uma modéstia exagerada que agora eu perdi”. Ainda bem.

• Serviço

Exposição “MPB 70”, com fotos de Fernando Azevedo. Hoje, a partir das 20h30, no Templo Bar. Rua Benjamin Constant, 1-34. Informações: (14) 223-3493.

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