O tucanaré é um dos peixes mais esportivos do País e pode ser encontrado de Norte a Sul. Antes limitado às águas da Bacia Amazônica, a espécie foi introduzida em várias represas, adaptando-se muito bem. A facilidade em reproduzir-se contribuiu para que a espécie se tornasse popular e figurasse entre o “sonho de consumo” de muitos pescadores.
Fisgar um tucunaré, seja na isca viva, na artificial ou no fly, é uma emoção especial. O tucunaré, muitas vezes, ataca na superfície, o que permite ao pescador acompanhar, visualmente, sua ação. Prazer em dobro.
Os meses de julho e agosto são propícios para a pescaria de tucunaré, pois é nesse período que a espécie se alimenta, preparando-se para o acasalamento. Praticar o pesque-e-solte é, além de um sinal de respeito do pescador, uma atitude de preservação das espécies.
É claro que o pescador não resiste em embarcar um exemplar para fazer um sashimi ou mesmo para assar no rancho, mas “abarrotar” o freezer é antiesportivo e atitude predatória.
Já há alguns anos o pescador não precisa locomover-se até a Amazônia para fisgar um esportivo tucunaré. As represas estão cheias do predador, basta estar na hora certa, com a isca certa. Na região de Bauru, por exemplo, as represas de Bariri e Ibitinga oferecem boas pescarias de tucunarés.
O encontro dos rios Tietê e Jacaré-Pepira, em Bariri, tem atraído pescadores não só em busca do tucunaré. Curvinas, dourados e até pintados têm sido encontrados na região.
A sugestão, apesar de não existir legislação específica para a espécie, considerada exótica, é que o pescador não embarque os pequenos exemplares, permitindo que a espécie reproduza.
Vale lembrar também que na nova regulamentação de pesca, o pescador não pode ultrapassar a quantidade máxima de dez quilos de pescado mais um exemplar, para qualquer espécie, em território nacional.
Organização e cuidados com a tralha
A pesca embarcada exige cuidados especiais do pescador. Além da carteira de pesca, uma pessoa habilitada para comandar a embarcação, a organização da tralha, no barco, é fundamental.
O pescador João Pereira dos Santos é bastante preocupado com a higiene e limpeza da embarcação e comenta, inclusive, a possibilidade de evitar acidentes com a tralha em ordem. “Os pescadores não precisam manter aquela imagem de sujeira, o barco todo bagunçado, com tralha para todos os lados. É isca para um lado, alicate para outro. Na hora que você precisa, não acha nada. Eu gosto de tudo limpo e organizado. Assim você pode fazer e comer um sashimi no próprio barco, sem nenhum problema.”
Anzóis sem farpas
O pescador deve evitar o uso de farpas em azóis e garatéias, pois além de facilitar a liberação do peixe, evita acidentes graves. “Eu amasso todas as farpas dos meus anzóis e garatéias, além de não agredir tanto o peixe, minimiza o acidente. Fica fácil soltar o anzol e o ferimento será leve”, orienta Pereira. Diferente do anzol com farpas, que será necessário cortar a “cabeça” do anzol e passá-lo completamente para o outro lado, apliando o ferimento.
Falando em garatéias, o pescador guarda na manga uma isca para atrair o tucunaré, quando “tudo” parece perdido. “Se você passou a manhã pescando e não pegou nenhum tucunaré, a sugestão é usar a isca mata-fome”, comenta João Pereira.
Cientificamente conhecida como Baby Torpedo, essa isquinha artificial de superfície possui uma hélice que atrai os tucunarés mais dorminhocos. Ela é praticamente irresistível.
Já para quem prefere pescar na isca viva, lambaris e tuviras são excentes cardápios para o tucunaré.
Onde encontrá-los?
Os tucunarés vivem escondidos em galhadas e paus submersos. O pescador também deve observar se há taboa ou aguapé, onde a espécie costuma habitar. Em época de acasalamento, os tucunarés estão sempre em casais, o que traz outro desafio ao pescador.
É comum, quando há dois pescadores no barco, se um tucunaré ataca uma isca, o segundo arremessa exatamente no mesmo lugar. “Bingo!” É quase certo que ambos irão fisgar um peixe, dublê de tucunaré, na certa.
Porém, há diversos fatores que influenciam no resultado da pescaria. O peixe pode estar lá, mas não ligar para as suas iscas. Isso pode ocorrer devido à pressão atmosférica e também à temperatura da água. O pescador deve observar, pois dependendo da profundidade que o peixe estiver, a forma de se trabalhar as iscas artificiais se modificam. Quanto mais fundo o peixe estiver, mais lenta a isca deve ser trabalhada.