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Hino ao bom humor


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Flagelado por ininterrupta onda de latrocínios e sequestros, o belo Rio de Janeiro vem sendo classificado como uma das cidades mais violentas do mundo, tendo ganho na velocidade a dianteira das mais desastrosas capitais de países. Contudo, como os milhões de cariocas conseguem suportar referido drama nas ruas e moradias, onde são atacados pelos terroristas a qualquer hora do dia e também da noite, tem a devida justificativa no seu excepcional bom humor, de provocar inveja, ressalte-se. Quem vai à Cidade Maravilhosa e se coloca em contato com o povaréu constata-o logo à primeira vista, percebendo rapidamente tratar-se de gente a quem Deus concedeu a ventura da alegria e da espirituosidade em amplíssima dose. É gente capaz de contar piada até nos ouvidos do simpático Cristo Redentor, ultimamente modernizado com acesso sofisticado, bem como cantar sambas e marchinhas no meio do povo, nas vias públicas e nos morros distantes e de se fechar os olhos aos conflitos das favelas quando dos ataques da polícia aos terroristas, o que acontece diariamente de permeio com os delitos dos criminosos metralhando repartições públicas, supermercados, bancos, lojas, linhas de ônibus e viaturas de metrô. Repetimos, obrigatoriamente, é gente fora de série, inigualável, o que acaba de ser testemunhado por ampla pesquisa, levada a efeito em muitas cidades grandes dos cinco continentes, cujas populações perderam feio para a do Rio no tocante ao bom humor. Conseqüentemente, a ex-capital federal é, invariavelmente, uma urbe com sons musicais em todos os cantos, inclusive fora do carnaval, com suas escolas de samba ruidosas, capazes até de espantar criminosos, mas não espantam porque os meliantes fazem dos tais folguedos motivo maior para sua criminalidade. Na pesquisa, nenhuma metrópole do Exterior se igualou à carioca em tão importante prerrogativa humana, que faz com que a cariocolândia consiga superar sorrindo as tristezas dos seus dramas e traumas, plenamente inteirada de que “quem canta seus males espanta”, mandando de volta a quem os enviou com um incisivo recado: faça bom proveito! logo o bom humor é que haveria de fazer com que os cariocas trouxessem mais um campeonato para o Brasil, agora que a seleção pentacampeã começa a tropeçar nas próprias chuteiras! É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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