Economia & Negócios

Jovens apostam no 'Primeiro Emprego'

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O público-alvo do programa Primeiro Emprego lançado pelo Ministério do Trabalho na última segunda-feira, jovens entre 16 e 24 anos de idade, está confiante na iniciativa do governo e esperançoso quanto aos seus resultados. Porém, eles apontam falhas na implementação do programa na prática, que em Bauru estão se configurando em barreiras de acesso. Ainda não há um local para fazer a inscrição

Empresários consultados pela reportagem aprovam a idéia e a iniciativa do governo, mas também observam as dificuldades em viabilizar o programa para todo o País e o pequeno reflexo que possa gerar no aquecimento da economia.

A jovem Luciana Cordeiro Garcia, 18 anos, completou o 2.º Grau no ano passado e, desde janeiro, está em busca de uma vaga no mercado de trabalho. Para ela, a principal dificuldade em encontrar emprego está na falta de experiência.

“Em todos os lugares que vou, na hora da entrevista me perguntam se eu tenho experiência. Quando eu falo que nunca trabalhei, dão um jeito de me dispensar. Mas como eu vou ter experiência se ninguém me dá uma oportunidade?”, questiona.

Na opinião de Luciana, o programa Primeiro Emprego pode ser a saída, mas aponta a necessidade de divulgação . “Eu acho que o governo precisa divulgar mais o programa, porque a gente não sabe onde ir para fazer inscrição e os empresários também precisam de mais informações para saber como fazer as contratações”, observa.

Tatiane Lopes de Paula, 19 anos, prima de Luciana, diz que o programa é exatamente o que o Brasil está precisando. “Eu acho que só assim será possível resolver o problema. De um lado estão os jovens à procura de uma oportunidade para o primeiro emprego, e de outro estão as empresas que exigem experiência. Acredito que os incentivos oferecidos aos empresários serão um estímulo para contratar jovens”, avalia.

Tatiane, que tem o 2.º Grau completo, também critica as dificuldades de acesso ao programa. Como ela já trabalhou e está desempregada há três semanas, tratou logo de fazer um cadastro na Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert).

Carlos Alberto Mosquini, 23 anos, fez um cadastro na Sert em Bauru porque há sete meses está desempregado. Seu último trabalho foi de vendedor em uma loja de calçados, mas desde que saiu da empresa não tem recebido retorno das inúmeras entrevistas e currículos enviados.

“Eu acho que as empresas estão passando por momentos difíceis e não estão contratando, porque desde que comecei a procurar emprego não recebi nenhuma resposta.” Para ele, o programa do governo pode ser a saída para o problema que se pretende atingir.

O supervisor da Sert, Eduardo Spósito, diz que até o momento a secretaria não recebeu nenhum comunicado do governo sobre uma possível abertura de inscrições para o programa Primeiro Emprego em Bauru. “Talvez isso ocorra nos próximos dias, porque geralmente os programas desse tipo abrem inscrição no segundo semestre”, observa.

De acordo com ele, atualmente existem 11 mil pessoas cadastradas na secretaria concorrendo uma vaga no mercado de trabalho. Muitos destes inscritos são jovens à procura do primeiro emprego.

Há quatro anos a Sert mantém o programa Jovem Cidadão, que é subdividido em Primeiro Emprego e Serviço Civil Voluntário - no qual o jovem recebe bolsa da empresa contratante em troca de serviços comunitários. O primeiro não chegou a ser desenvolvido em Bauru, mas o segundo formou 200 pessoas no ano 2000 e mais 300 participantes em 2001. Desde então, está paralisado.

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