O papel dos Bombeiros mudou muito nesses mais de um século de existência no Brasil. De homem do fogo, como era conhecido, passou a ser um profissional especializado em preservar a vida, o meio ambiente e o patrimônio. Na cidade, eles atendem cerca de 400 chamados por dia. Desses, cerca de 15 ou 20 são de competência dos Bombeiros, a maioria de serviço de resgate. Ontem, eles comemoraram o Dia do Bombeiro Brasileiro com a constatação de que houve uma grande evolução no trabalho. Por outro lado, lamentaram ainda sofrer com trotes que atrapalham o bom andamento do trabalho e até comprometem outras ocorrências.
Para o atual comandante do 12.º Grupamento de Bombeiros, major Dilson Pedro Saltorato, os 123 anos dos Bombeiros são motivo de comemoração. “Evoluímos muito. Nos primeiros anos de Bombeiros não se tinha a técnica. Hoje temos a técnica e melhores equipamentos.”
Ele frisa que o envolvimento da comunidade é a maior conquista dos Bombeiros. “ O mais importante é que temos a colaboração da comunidade. A comunidade está ajudando na prevenção. O brasileiro passou a ter uma consciência preventiva e isso fez com que diminuísse o número de ocorrências.”
Na opinião dele, a cada ano que passa os Bombeiros salvam mais vidas. “Estamos melhorando o atendimento e salvando mais vidas. Uma pesquisa da revista Seleções revelou que 98% da população aprova os nossos serviços. Nosso índice de aceitação é ótima.”
Manter o percentual de aceitação é uma desafio diário, segundo o major. “Conquistar não foi tão difícil, agora temos que manter. Por isso, estamos investindo na prevenção e no aperfeiçoamento das técnicas e normas operacionais.”
Para o comandante, a cidade de Bauru, no momento, está com número suficiente de viaturas e homens. Isso não quer dizer que a situação deve ficar acomodada. “Precisamos planejar o futuro para acompanhar o crescimento da cidade. A cidade cresce e os Bombeiros não podem ficar aquém disso. Com os equipamentos que temos estamos conseguindo fazer frente ao trabalho.”
Tempo-resposta
O tempo-resposta para os Bombeiros é o espaço de tempo que uma viatura de atendimento leva para chegar ao local de um fato. Até pouco mais de um mês, as viaturas dos Bombeiros demoravam em média 10 minutos para atender uma ocorrência em qualquer ponto da cidade, mas a chegada das motos agilizou o trabalho e o tempo-resposta médio passou para 5 minutos.
O desafio de chegar o mais rápido possível ao local do acidente é uma luta constante, ressalta o major. “Depende de uma série de situações. A cada dia tentamos chegar mais rápido para salvar mais vidas.”
Em Bauru, o serviço de Motos Operacional de Bombeiros (MOB) foi implantado em 24 de maio deste ano, mas o serviço ficou paralisado durante dez dias no mês de junho, quando os motociclistas participaram de um curso na Capital. Mesmo assim, de maio até 30 de junho, as MOB atenderam 87 ocorrências de resgate, cinco de incêndio e quatro de salvamento.
Em 20% dos casos atendidos, a viatura de resgate não precisou ser deslocada para o local do fato, uma vez que os motociclistas tiveram condições de fazer o atendimento total. “Houve uma economia que ainda não computamos. O principal é que o atendimento está mais ágil”, frisa o comandante.
O trabalho das motos é dar o primeiro atendimento, imobilizar as vítimas e, através do rádio de comunicação interna, requisitar a viatura certa para aquele tipo de acidente.
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Atendimento rápido
No dia em que se comemora 123 anos de ação, os Bombeiros solicitam o auxílio da população no sentido de impedir que as crianças usem o número 193 para brincadeiras ou trotes. O pedido vem acompanhado de uma orientação que pode salvar vidas, ressalta o soldado José Carlos Morais, que há dois anos atende telefone no Centro de Operações dos Bombeiros.
Morais enfatiza que as pessoas ligam para os Bombeiros tão aflitas que não conseguem fornecer o endereço da ocorrência. “É uma dificuldade porque a pessoa liga falando de incêndio e não consegue passar o endereço. O atendimento rápido depende dessa informação. Não posso despachar uma viatura sem saber o local.”
Para agilizar o trabalho e salvar mais vidas, é preciso manter a calma. “Nós, do atendimento somos treinados para não ficarmos aflitos. Obedecemos o Procedimento Operacional Padrão (Pop) em todos os casos. O endereço correto e o tipo de acidente são as principais informações para nós.”
A experiência faz com que o atendente já tenha uma opinião pré-concebida. “Quando o acidente é na rodovia, geralmente há vítimas presas nas ferragens. O mesmo não acontece, ou raramente ocorre, na área urbana. Se o acidente for com caminhões que transportam combustíveis, temos que deslocar a viatura de produtos químicos para atender.”
Há 16 anos trabalhando como bombeiro, o soldado confessa que quando atende solicitação de resgate para acidente nas rodovias com crianças presas nas ferragens, se abala. “ Eu sou pai e não deixo de me emocionar.”