Tribuna do Leitor

Democracia brasileira


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A administração da prefeita Marta Suplicy foi reprovada por 76% dos paulistanos ouvidos numa pesquisa e a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva despencou para 42%, de um patamar que beirava a unanimidade. Esses dois personagens da vida pública brasileira, personificados como salvadores da pátria quando foram eleitos, mostraram-se iguais a todos os outros que os antecederam.

Traindo a confiança do povo, a prefeita petista promoveu um festival de nomeações de assessores, não descansou enquanto não conseguiu tirar a Prefeitura do Palácio das Indústrias, como se isso fosse prioridade, e, como todos os politiqueiros, aumentou a carga dos já extorsivos impostos municipais com a criação das taxas de iluminação, de lixo e sabe-se lá quantas outras.

O presidente Lula criou uma série de ministérios absolutamente inúteis, continua endividando a nação e com a política recessiva de seu antecessor, de triste memória, prestigiando a agiotagem e iludindo a população com programas sociais inexequíveis. Esse quadro imutável comprova o acerto do diagnóstico do escritor Raymundo Faoro, citado por Gilberto de Mello Kujawsky (Estadão - 26/6 - A2) , que diz, no seu livro “Os donos do Poder”, que “no Brasil nunca houve Estado digno desse nome, uma entidade de caráter público personificando a Nação como um todo e encarregada de administrá-la visando o interesse geral. No Brasil o poder tem donos, um patronato político que manda e desmanda à vontade no País, como se este fosse propriedade familiar.

Este patronato insensível, implacável, absorto em seus interesses privados e alheios ao reclamo do bem público, constitui o “estamento”, essa formação espúria gerada pelo patrimonialismo, a indistinção perversa entre o público e o privado. Da colônia ao império, deste à República Velha e a República nova, entra governo e sai governo, o estamento permanece intocado, respondendo por todos os vícios arraigados em nossa estrutura política, quais sejam, a corrupção generalizada e institucionalizada, o clientelismo, o nepotismo, as oligarquias, o corporativismo”. Essa é verdadeira cara da “democracia” brasileira, que mantém este país na camisa de força desde que ele foi invadido há quinhentos anos e que renova, a cada eleição, a esperança, sempre frustrada, de que as coisas vão mudar por aqui. A ditadura, nesse ponto, é autêntica. (Silvio de Barros Pinheiro - OAB/SP. 68797)

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