Dos clássicos que li na juventude me ficou uma lição: a do lobo que queria a qualquer custo devorar o cordeiro e para que não o acusassem de assassino, precisou invocar a nobre causa de seus antepassados. Ou seja, a lição é de que se alguém está mesmo afim de destruir alguém, precisará invocar razões plausíveis e meritórias, ainda que forjadas ou tendenciosas.
Para queimar uma Joana D’Arc não se poderia admitir que ela fosse um ameaça para os poderosos, e sim que era suspeita de bruxaria. Coisas assim. Em compensação, ficou muito feio para a França toda aquela armação. Antes tivesse resolvido a coisa de maneira mais inteligente, até porque, os lobos da vida sempre armam, mas ninguém se engana com eles e eles não enganam ninguém.
Agora, estou assistindo em Bauru a “intifada”, ou guerra santa, por causa de uma carne que foi ou não foi comprada, foi ou não foi entregue, houve ou não houve maracutaia. Tudo está sendo julgado, investigado, apurado. Deus ajude que cheguem a uma conclusão limpa e isenta. Só não entendo porque a fogueira já está ardendo, ou a água já está suja de baixo para cima, antes que se prove e se comprove o mal feito. Hão de dizer alguns que os acusadores são poucos e pequenos, não têm estatura suficiente para derrubar quem quer que seja. Eu não acho assim. Se pequeno fosse inócuo, micróbio não matava. E quando pequeno quer ficar grande, precisa fazê-lo subindo no pescoço d alguém maior que ele.
Na verdade, está ficando feio é para a cidade de Bauru. Será que não estamos grangeando fama de povo barulhento, de administrações conflituosas, de município sem estabilidade? Será que, na ânsia de se vingar ou de querer subir, não estarão os lobos soltos por aí atiçando os ânimos do eleitorado?
Nesta balbúrdia, fico pensando no prejuízo para Bauru, principalmente no sentido de afastar os empresários, investidores em potencial, que talvez desanimem de se instalar num lugar que bota e tira prefeito com ou sem razão, sempre que se aproxima uma no eleitoral. Não digo que não se vigie, que não se investigue, que não se exija a maior seriedade no trato da coisa pública. Mas daí a virar carnaval político, os amigos do lobo que me perdoem: não dá para acreditar que o lobo é o bonzinho e o cordeiro é o vilão da história. (Vânia Figueiredo - RG. 09581376-2)