Macatuba – A Polícia Civil de Macatuba (46 quilômetros a Sudeste de Bauru) investiga um suposto aborto ocorrido na cidade na última quarta-feira. A lavradora S. M. A. (o nome está sendo preservado até a conclusão das investigações), 23 anos, teria enterrado o feto no quintal de sua residência. A polícia trabalha com a hipótese de aborto ou infanticídio (assassinato de recém-nascido).
Segundo o delegado Elias Evangelista Bueno, titular da Delegacia de Macatuba, a polícia tomou conhecimento do caso quando a lavradora se deslocou ao hospital da cidade na noite da última quarta-feira, queixando-se de dores e alegando que teria sofrido um aborto natural.
Os médicos que atenderam a paciente desconfiaram da situação e acionaram a polícia. Ao ser questionada, S. teria confessado que, horas antes, havia enterrado o feto no quintal de sua residência, localizada no bairro Sonho Meu.
Segundo o delegado, a polícia deslocou-se até o local e encontrou o feto em um saco plástico, enterrado nos fundos da casa. “Ela mesma havia desenterrado o bebê.”
Bueno afirma que não há certeza sobre o tempo de gravidez da lavradora, mas o feto aparentava ter cerca de seis meses. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru e submetido à necropsia.
Segundo o delegado, somente o laudo, que será emitido em cerca de dez dias, poderá apontar a causa do suposto aborto, o sexo e a idade do feto. “Será verificado inclusive se era feto, se nasceu com vida ou não. São dados que vão depender da perícia”, explica.
A Polícia Civil de Macatuba instaurou inquérito para apurar as circunstâncias em que ocorreu o fato. Em caso de infanticídio, a acusada pode ser condenada a uma pena de dois a seis anos de prisão. No caso de ser indiciada por aborto provocado, a pena prevista é de um a três anos.
Bueno afirma que o próximo passo da polícia será ouvir a vítima e os familiares. “Inclusive, ela será encaminhada também ao IML para ser submetida a exames.”
Segundo o delegado, S. alegou que o aborto teria sido natural.
Medo
De acordo com Bueno, a lavradora teria afirmado que enterrou o feto por medo da mãe, que mora na mesma casa, descobrir o aborto. Entretanto, o delegado desconfia dessa versão. “Ela (a lavradora) já é mãe de três filhos. É inconcebível inicialmente o medo que ela diz ter da mãe.”
Segundo Bueno, a família já sabia da gravidez da lavradora, inclusive seu amásio. S. é mãe de três filhos menores.
Até ontem à tarde, a lavradora permanecia internada na Santa Casa da cidade em observação.