Se você é uma gestante e está na dúvida em assumir a direção do automóvel, despreocupe-se. O fato de engravidar não é sinônimo de ter de parar de dirigir e sim, apenas, de tomar alguns cuidados extras na hora de sair por aí de carro.
É o que garante o ginecologista bauruense José Osmar Guerini. Segundo o médico, as grávidas podem conduzir um veículo, desde que não se sintam desconfortáveis. “Como cada gravidez evolui de uma forma, o ideal é que a mulher leve em conta o conforto para se decidir em dirigir ou não. Mas, em uma gestação normal, é possível guiar até os oito meses”, ressalta.
Mas o que seria estar “desconfortável” para uma grávida? Para o ginecologista, isso ocorre quando a gestante encontra-se em posições que dificultem a movimentação e o acionamento dos pedais e em distâncias excessivamente pequenas do volante. “Estar com a barriga a cinco centímetros deste já é suficiente. Além disso, o cinto tem de ficar colado ao corpo e não frouxo”, recomenda Guerini.
O médico complementa que usá-lo “folgado” pode colocar em risco as mães e, conseqüentemente, os futuros bebês. Por isso, as famigeradas presilhas, acessórios utilizados para afrouxar os cintos, devem ser evitadas. “Em vez de aumentar a segurança em um impacto ou freada brusca, eles podem causar mais danos à saúde, pois não serão eficientes sendo colocados desta forma”, destaca ele.
Além disso, estar sem o cinto em um eventual acidente aumenta - e muito - a probabilidade de ferir-se gravemente, especialmente as gestantes. “Um trauma na barriga pode ocasionar o descolamento da placenta, levando o bebê a óbito. E a chance disso ocorrer é maior naquelas que estiverem sem o equipamento de segurança”, adverte Guerini.
Por essas razões, a posição correta do cinto torna-se a principal medida de segurança para a grávida ao volante. “Ele deve ser ajustado de tal maneira que a faixa abdominal permaneça bem abaixo da barriga e a diagonal passando entre as mamas, o ombro e o pescoço”, ensina ele.
O ginecologista acrescenta que as grávidas devem utilizar, obrigatoriamente, o cinto de segurança de três pontas. “Se o veículo possuir apenas o abdominal, então é melhor nem utilizá-lo. Isso porque em um acidente ele poderá comprimir a região uterina e causar problemas à futura mamãe e ao bebê. Já com o de três pontas não há esses riscos”, explica Guerini.
Por isso, no caso da grávida não estar ao comando do automóvel, o médico considera que o melhor local para ela permanecer no veículo é no banco da frente reservado ao passageiro. A razão é simples, conforme o especialista. “Nos traseiros, normalmente os cintos de segurança são apenas abdominais”, afirma ele.
E mesmo tomando todas as precauções, complementa Guerini, a gestante não estará isenta de problemas. “Ela correrá o menor risco possível”, frisa o médico.
“Babá” da mulher
Apesar de todas as recomendações e cuidados, o ginecologista José Osmar Guerini enfatiza que a melhor idéia é, sempre que possível, alguém dirigir no lugar de uma grávida. “Até mesmo no começo da gestação a mulher pode sofrer maus súbitos e queda de pressão, o que torna perigosa a prática de dirigir”, justifica o médico. “O marido deve virar o chofer da esposa”, brinca ele.
Guerini também defende a adoção no País de uma severa lei em vigência na Europa, que estabelece punições às mulheres ao volante que não tomarem as providências necessárias para proteger o bebê ainda na barriga. “Lá a legislação a responsabiliza pelos eventuais danos causados ao feto”, afirma o ginecologista.
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Cuidados redobrados
O casal bauruense Adriana Struchel, 24 anos, e Rodrigo Struchel, 28 anos, aguarda com ansiedade a chegada do seu primeiro filho, um menino que já tem até nome: Felipe.
Enquanto esperam o parto, que deve ocorrer já nos próximos dias, pois Adriana encontra-se no oitavo mês de gestação, Adriana e Rodrigo cercam-se de todos os cuidados para receber o “baby” de braços abertos.
A preocupação em dirigir é um deles. Apesar de ter um pouco de receio, Adriana afirma que guiava normalmente enquanto podia. “Ajustava o cinto de segurança conforme orientação médica e seguia em frente”, conta ela.
A jovem considera que o instinto materno a tornou naturalmente mais cuidadosa ao volante. Por isso, nas oportunidades em que estava ao comando do automóvel, evitava ultrapassagens mais “ousadas” e aliviava o pé no acelerador. “Passei a andar mais devagar, pois além da minha vida estava carregando outra comigo”, enfatiza Adriana.
Entretanto, diante da proximidade do parto, a tarefa de levá-la para cima e para baixo “sobrou” para o marido, que virou seu “chofer” de luxo. Mas ele não reclama. “Com segurança não se pode descuidar. Por isso, assumi esta nova profissão”, brinca ele.
Outro que, pelo mesmo motivo, se transformou em “motorista particular” da esposa Michele de Fátima Rubio Justo, 22 anos, foi Adenilson Aparecido Justo, 27 anos. “Foi uma decisão nossa para ficarmos mais tranqüilos”, ressalta.
Atualmente no oitavo mês de gravidez, Michele diz que parou de dirigir há cerca de um mês. “Dirigia diariamente sem problemas ou qualquer tipo de medo, mas não guio mais porque dizem não ser recomendável fazer isso nesta altura da gestação”, frisa ela.
Já a jovem Patrícia Aline Cota Gomes Sato, 22 anos, garante que mesmo estando há cerca de 15 dias do parto, continua dirigindo. “Guio sem medo e minha maior preocupação é com o cinto”, salienta. Entretanto, ela toma outros cuidados, como andar em velocidade moderada. “É uma responsabilidade em dobro e diferente de quando ainda não sabemos que estamos grávidas”, considera Patrícia.