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Mais diferenças do que coincidências


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A cúpula anual entre União Européia e Estados Unidos foi realizada no dia 25 de junho, em Washington, sob o sinal da pacificação político-diplomática. Segundo informou-se, foi uma reunião cordial que debateu a questão primordial para as duas partes da luta internacional contra o terrorismo e a preocupante propagação das armas de destruição em massa, numa referência a países pressionados e vigiados de perto por Washington, como Irã e Coréia do Norte.

Nesse sentido, a espetacular conciliação entre Índia e China, pelo visto, resultado da viagem do primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee à China - que também aponta para uma certa superação da “espinha” do Tibete cravada entre os “dois grandes”, através do reconhecimento de sua autonomia, como de forma moderada reclamava há anos o Dalai Lama - surge de modo quase inesperado e, por isso, muito significativa.

Também a viagem de Putin à Grã-Bretanha, onde foi recebido com honras de czar pela rainha, não deixa de revelar o peso estratégico da nova Rússia e de seu líder indiscutível, Vladimir Putin, que se dispõe a optar por um novo mandato presidencial ao mesmo tempo em que tenta, agora, solucionar por meios políticos o problema da Chechênia, que nos últimos anos revelou-se um autêntico calcanhar de Aquiles russo...

Houve uma verdadeira reaproximação entre a União Européia e a administração Bush no recente encontro de Washington? Com certas reservas, tudo aponta nessa direção. A nova situação do mundo assim o exige também. (...)

Um dos aspectos positivos do informe de Solana consistiu exatamente na declaração da necessidade de afirmar um novo conceito estratégico europeu, frente a um mundo em rápida transformação e já muito distante - em sua intrínseca realidade - da época da “guerra fria”, e dos anos subseqüentes até o início do século 21. Outro aspecto positivo foi exaltar que entre as novas ameaças que pairam sobre a segurança dos países desenvolvidos figura uma - fundamental - à qual os Estados Unidos não dão a devida atenção: o fosso crescente entre ricos e pobres e a insegurança em que vivem com relação ao futuro de quase três bilhões de seres humanos (metade da humanidade), condenados a subsistir com menos de US$ 2 por dia, o que representa um foco insustentável de revolta e insurgência.

Continentes inteiros - como África, mas não exclusivamente - se vêem afetados pela pobreza mais absoluta, por guerras injustas e, por epidemias que seriam facilmente curáveis. Demasiados seres humanos passam fome, carecem de moradia digna, de acesso à água potável ou à mais elementar assistência sanitária. O terrorismo é um castigo terrível. Sem dúvida. Mas o mundo dos ricos e poderosos deve também ter lugar para outras preocupações: a situação das pessoas, por exemplo. E pelo seu próprio bem! (O autor, Mário Soares, foi presidente de Portugal no período 1986/1996)

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