Bairros

Casos vão parar na polícia

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Muitas vezes, desentendimentos entre vizinhos não se limitam a simples discussões no portão de casa. Há fatos graves que resultam em verdadeiros casos de polícia.

O capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar (PM) de Bauru, afirma que há muitas ocorrências decorrentes de brigas entre vizinhos. “Tem bastante”, enfatiza.

Determinadas brigas são dificilmente solucionadas porque nenhuma das duas partes quer ceder. Em ocasiões mais preocupantes, há lesão corporal e os vizinhos têm que ser conduzidos à delegacia de polícia, após intervenção da PM.

Quando há perturbação do sossego público devido a barulho em horário impróprio, o reclamante pode registrar uma ocorrência contra o vizinho. Segundo Meira, se não se caracteriza infração penal, a polícia apenas orienta. Alguns casos páram na Justiça.

Dormir tarde e fazer festa aos finais de semana pode ser comum para uma família, mas incômodo para outra. “Temos casos de famílias que fazem oração dentro das residências e existe divergência com o vizinho do lado, que não gosta dessa pregação”, conta Meira.

O capitão avalia que conforme as cidades vão crescendo, há maior distanciamento entre os vizinhos. “A amizade entre os vizinhos é mais próxima quando se vive em pequena comunidade”, expõe.

Na opinião do comandante da 1.ª Companhia, a migração de bairro a bairro dificulta o relacionamento entre os vizinhos. “Em Bauru, há rotatividade grande de pessoas nos bairros”, diz.

Diferenças

Meira comenta que os desentendimentos estão bastante relacionados com as características de cada bairro. Nos bairros antigos, com moradores tradicionais, a incidência de desinteligência é pequena. Nos núcleos novos, a tendência de conflitos é maior.

Ele cita como exemplo o Núcleo Geisel. Quando foi inaugurado, era cenário de muitos conflitos e marcado pela violência. “Havia pessoas de diferentes locais da cidade. Hoje, o Geisel é um bairro que não apresenta tantos problemas. Os moradores já se conhecem”, avalia.

Já o Núcleo José Regino, bairro mais novo, tem mais conflitos. “Nós percebemos pela demanda de atendimentos de ocorrências”, explica Meira.

O capitão Wellington Luiz Venezian, comandante da 3.ª Companhia da PM, conta que ocasionalmente atende casos decorrentes de brigas entre vizinhos.

Ele também afirma que em bairros mais tradicionais a tranqüilidade e a ordem pública é maior que em bairros novos. “Nos bairros mais recentes, as vizinhanças ainda não foram devidamente celebradas”, avalia.

A incidência de furtos residenciais também é mais baixa em bairros tradicionais. “No bairro novo, além das pessoas não se conhecerem, há casas abandonadas, que potencializam os furtos residenciais”, expõe Venezian.

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