Polícia

Assaltos a farmácias duram 30 segundos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

O tempo que você leva para tomar um copo de água é o mesmo que um assaltante leva para entrar em um estabelecimento comercial, subtrair o dinheiro do caixa e abalar emocionalmente a vítima: cerca de 30 segundos. Feito isso, a vítima demora cerca de três minutos para acionar a polícia, inviabilizando a prisão do assaltante. Embora a quantia seja pequena, o destino desse dinheiro é quase sempre o mesmo: pagamento de droga.

Praticar um roubo em estabelecimento de pequeno porte tornou-se uma prática rentável e “fácil” para um assaltante em começo de “carreira”. Basta apontar a arma que a vítima entrega o dinheiro, sem reagir. Por isso, a técnica foi adotada pelos adolescentes viciados em maconha e crack que não têm fonte de renda para sustentar o vício, acredita o comandante da 1ª Cia. da Polícia Militar (PM), capitão Benedito Roberto Meira.

De acordo com ele, neste ano foram registrados 30 roubos e furtos em farmácias nas áreas da 1.ª e 3.ª Cias. de Bauru. Os locais mais críticos são as avenidas Castelo Branco e Duque Caxias e a rua Gustavo Maciel. Geralmente, esses assaltos são feitos por jovens do sexo masculino com idade entre 16 e 20 anos, portando arma produto de furto ou adquirida no mercado paralelo.

A média do valor subtraído das farmácias é de R$ 50,00, com raras exceções, avalia o capitão. Na opinião dele, o prejuízo maior é o emocional. “Muitas vítimas ficam paralisadas e sofrem um trauma. Elas demoram a agir, mesmo após a saída do ladrão. O assaltante leva cerca de 35 segundos para a prática.”

O tempo médio que a vítima leva para acionar a polícia é de três minutos. “Se o assalto for na avenida Getúlio Vargas e a fuga estiver sendo feita de moto, por exemplo, em três minutos o ladrão chega na rodovia Marechal Rondon e tem várias opções para escapar, inviabilizando a prisão.”

Para ilustrar, ele lembra o caso de um assaltante preso na semana passada, na Vila Antartica, próximo ao quartel da PM. “Ele praticou um assalto em uma padaria, perto da Universidade do Sagrado Coração. Fugiu de bicicleta e uma testemunha viu. Avisou a polícia e o ladrão foi preso por uma viatura que saía do quartel e recebeu o aviso com as características do acusado.”

Passar a descrição do que a vítima ou testemunha lembrar do assaltante é outro fator que pode auxiliar na prisão, frisa Meira. “Uma tatuagem, a roupa, o corte de cabelo, a cor e a maneira como se comporta. Tudo isso auxilia os policiais na prisão.”

Presa fácil

O comandante da 1.ª Cia. ressalta que, embora os aparatos tecnológicos tenham a função de inibir os furtos e roubos, grande parte das vítimas não explora todo o potencial neles contido. “Existem comerciantes que instalam as câmeras de vídeo mas não gravam as cenas. Imaginam que o ladrão teme a câmera, o que não é verdade.”

Meira lembra que a reincidência num local prova que só a instalação do equipamento não funciona. “O ladrão entra, observa que posteriormente não é identificado e volta a roubar o mesmo estabelecimento. Por isso, há várias farmácias que são roubadas e furtadas inúmeras vezes.”

Os estabelecimentos comerciais de pequeno porte atraem os ladrões pela facilidade de acesso a dinheiro em espécie. “Eles entram e pegam o dinheiro. Se escolhem uma casa, por exemplo, enfrentam vários obstáculos, como cão, alarmes etc para subtrair objetos que serão vendidos para a arrecadação de dinheiro”, diz o capitão.

O risco de ser preso com um objeto que posteriormente pode ser identificado pela vítima é maior do que quando o ladrão leva dinheiro, segundo Meira. “O dinheiro é mais difícil de ser identificado. Além disso, ele pega o valor e entrega rapidamente para o traficante. Paga por uma pedra de crack ou um cigarro de maconha.”

Medidas de segurança

As medidas de segurança que inibem a ação dos ladrões são amplamente divulgadas e de conhecimento da maioria dos comerciantes. É preciso apenas que sejam utilizadas, avisa o capitão. “As câmeras devem ficar ligadas 24 horas e todas gravando.”

A presença de um segurança, ainda que desarmado, na opinião do comandante inibe a ação dos marginais. “É um obstáculo a mais que o ladrão tem que enfrentar. Se ele tiver outra opção, claro que vai escolher um local mais fácil para agir.”

Não deixar muito dinheiro em caixa é uma maneira de diminuir os prejuízos, alerta o capitão. “Muitos comerciantes escondem as notas de maior valor em um compartimento embaixo da caixa registradora. Isso todo mundo sabe e o ladrão também. A minha orientação é para que os comerciantes recolham o dinheiro de tempo em tempo, não deixando notas altas no caixa.”

Uma mesma pessoa pratica roubos e furtos seqüenciais. “A pessoa encontra facilidade e vai praticando um roubo atrás do outro, sem se importar com a pena que é mais rigorosa que a do furto. Vale lembrar que muitos são menores e nem chegam a ser presos”, observa o capitão.

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