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Férias pedem criatividade para o lazer

Da Redação
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Durante cerca de nove meses do ano, as crianças e adolescentes têm um compromisso certo e diário com a escola. No entanto, com a chegada das férias, os dias são ocupados com a falta do que fazer. Muitos pais, com essa situação, se vêem procurando alternativas criativas para manter os filhos em segurança e criando atividades para que o recesso escolar não seja um período de marasmo.

A pedagoga e professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Eliana Marques Zanata, recomenda que os pais, mesmo se estiverem trabalhando normalmente, tentem dar mais atenção aos filhos em férias. “No período de aulas, as crianças estão envolvidas com a escola, as provas e os colegas, e os pais, com as tarefas domésticas e o trabalho. Se os pais puderem oferecer sua companhia aos filhos, que não estão fazendo nada, vai ser muito proveitoso”, diz a pedagoga.

Contar uma história, ler um livro ou um gibi, brincar, assistir um programa de TV ou simplesmente conversar sobre as atividades do dia. Estas são algumas das opções que os pais podem escolher para passar alguns instantes com seus filhos. “O importante não é quantidade, é a qualidade do tempo que se passa com a criança. No período de aulas, as conversas são mais para cobrar as tarefas, os estudos. Nas férias, os pais podem se mostrar mais amigos, companheiros”, incentiva Eliana.

Para os pais que terão algum tempo livre durante o dia e estão programando um passeio com as crianças, existem opções gratuitas ou com baixo custo na cidade.

“Tem-se a idéia de que sair de férias implica em custos: levar a criança para comer fora, pagar cursos. É muito mais interessante aproveitar a companhia dos pais em atividades que não são feitas durante o resto do ano. Ainda podemos aproveitar porque o inverno deste ano está mais ameno”, diz a pedagoga. Ela aponta algumas alternativas, como o Zoológico Municipal e o horto florestal, que têm entrada gratuita.

Deixar com quem?

Alguns pais, no entanto, não têm a possibilidade de passar o dia com os filhos, e procuram algumas saídas para as crianças permanecerem em segurança. A analista fiscal Adaíza Lemes vai deixar seu filho Guilherme, de 7 anos, com a tia-avó do garoto. “Ele fica com ela numa boa. Descansa bastante, assiste TV, brinca com os amiguinhos. Só não acho bom ele ficar vendo TV o dia todo. Quero também procurar uma escolinha de futebol para ele fazer alguma atividade, pelo menos algumas vezes na semana”, diz.

Adaíza conta que Guilherme pediu para ela tirar férias nessa época também, para poderem viajar até a casa de seus avós. Mas ela não pode atender o pedido por conta de seu emprego.

A empresária Cida Conca conseguiu alguns dias de folga para tentar viajar com sua filha Maria Sara, de 9 anos. “O problema é só a grana. Se tudo der certo, nós vamos para São Tomé das Letras visitar uma tia. Se a viagem não der certo, iremos ao cinema assistir os lançamentos e ao zoológico”, conta. Cida indica também a sede do Serviço Social do Comércio (Sesc) de Bauru, onde sempre leva sua filha para participar de atividades, assistir a peças de teatro e shows.

A pedagoga lembra de uma opção que pode parecer fácil para os pais, mas só à primeira vista: levar as crianças para o trabalho. “É uma situação delicada. Se no local há uma pessoa que vai desenvolver alguma atividade, tomar conta, não há problema. Mas dependendo do trabalho, a criança pode ser exposta aos riscos da profissão do pai ou sentir-se entediada, e prejudicar o desempenho dos pais e das outras pessoas”, alerta.

Televisão

“As meninas vão ficar com a avó, mas já estão acostumadas, porque sempre ficam com ela”, afirma Rosemeire Furquim, que é cozinheira e trabalha durante toda a noite. Ela diz que as filhas Bianca, de 6 anos, e Letícia, de 4 anos, provavelmente vão passar as férias assistindo TV e brincando com as primas.

A pedagoga Eliana orienta que as crianças não devem passar o dia todo em frente à televisão, assistindo a qualquer tipo de programa. “A TV acaba se tornando uma companhia, e não acho que seja ruim ver TV, faz parte do desenvolvimento. Mas seria interessante que o dia fosse preenchido com várias atividades. Se a criança vai assistir desenho de manhã, à tarde vai andar de bicicleta, brincar no parquinho, ao ar livre”, indica.

Os pais devem seguir a mesma orientação com os videogames, computador e mesmo com as casas de jogos on-line, as lan houses, segundo Eliana. “Não adianta proibir. Então deve-se limitar. É melhor negociar com os filhos. Se vai ficar na Internet ou vai à casa de jogos, tem de fazer outras atividades também. Os pais podem organizar um grupo de amigos dos filhos, levar em algum lugar e combinar para buscar mais tarde. Assim, eles saem de casa e fazem uma atividade diferente”, recomenda a pedagoga.

A vendedora Estela Jarussi apelou para sua mãe, que mora em Buritama, para ajudar com Júlia, de 6 anos, e Pedro, de 3 anos. “Minha mãe veio e levou o Pedro para ficar com ela. Daqui 15 dias, ela volta, deixa o Pedro e leva a Júlia. Fazemos um revezamento”. E para entreter a filha nas próximas semanas, Estela planeja um programa diferente a cada dia.

“Se hoje ela vai ao cinema, amanhã vai ao Sesc, ou à casa de amigas dela e das minhas amigas. Ela adora passar cada dia numa casa diferente. Com o Pedro, quando ele voltar eu vou ver o que fazer. Mas ele dorme bastante, então o dia passa rápido”, diz.

A pedagoga Eliana vai aproveitar as férias da Unesp, onde é professora, para fazer alguns passeios com sua filha Ana Lívia, de 10 anos. “Como teremos duas semanas de férias compatíveis, programamos algumas coisas aqui em Bauru mesmo. Vamos tentar aproveitar a cidade”, finaliza.

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