Economia & Negócios

Servidores devem parar hoje contra reforma da Previdência

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Um ato previsto para ocorrer por volta das 11h30 de hoje, em frente à Câmara Municipal de Bauru, deverá marcar a adesão de várias entidades classistas à greve geral dos servidores públicos municipais, estaduais e federais para protestar contra a reforma da Previdência. Várias manifestações devem ocorrer em todo o País.

As entidades participantes ou apoiadoras do movimento são contra alguns pontos da reforma que, na opinião delas, vão acabar com direitos históricos dos servidores e, num segundo momento, prejudicar a população como um todo na área previdenciára - especialmente as camadas mais pobres.

Os principais pontos de conflito da proposta são a taxação dos servidores inativos, a retirada da aposentadoria integral e a idade mínima de 55 anos para mulheres e 60 anos para os homens se aposentarem no funcionalismo público.

O Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Sindicato dos Técnicos da Receita Federal, Associação dos Agentes Fiscais de Renda do Estado de São Paulo (Afresp) e servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) lideram o movimento que será realizado hoje.

Entre as entidades que apóiam a iniciativa estão Sindicato dos Ferroviários, Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) e Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), entre outras.

As formas de protesto serão individuais entre as categorias participantes, mas o ato marcado para ocorrer em frente à Câmara será unificado. A concentração das entidades será a partir das 10h, na praça Rui Barbosa, para depois os manifestantes saírem em passeata até a Câmara Municipal, onde pretendem fazer um ato de protesto.

Eliane Koti e Sônia Carvalho, do Sinserm, dizem que a razão principal da paralisação de hoje é o fato da categoria entender que a reforma resultará na privatização do serviço público.

“Esta reforma é um ataque aos direitos dos trabalhadores e o desmonte do serviço público. Posteriormente, entendemos que a iniciativa privada também será atacada. Para nós, a reforma da Previdência é uma exigência do FMI (Fundo Monetário Internacional)”, diz Eliane.

De acordo com ela, os servidores públicos municipais que atuam nos setores de obras, transportes, meio ambiente e drenagem paralisarão suas atividades hoje. Na área da saúde podem ocorrer manifestações pontuais ao longo do dia, mas o atendimento à população não será prejudicado, segundo o Sinserm.

O representante da Afresp, Edson Hurtado Cândido, opina que a reforma poderá resultar na piora do atendimento à população nos setores do funcionalismo público. “Certamente a população vai sentir isso com o tempo, porque as mudanças propostas não irão melhorar a situação dos servidores.”

O representante do Unafisco, Marcelo Rodrigues, diz que os auditores fiscais da Receita farão uma paralisação de três dias, a começar por hoje. “Na nossa opinião, o governo deveria ter aberto as discussões sobre a reforma da Previdência para que os envolvidos e toda a população pudessem participar”, aponta.

A representante dos técnicos da Receita Federal em Bauru, Luciângela Santos Nobre, diz que a paralisação neste setor ocorrerá hoje e amanhã. “Na Delegacia da Receita Federal não haverá atendimento ao público durante esses dias. Esperamos a compreensão da população porque precisamos protestar para não perder direitos adquiridos.”

Na agência da Previdência Social do INSS, os servidores também devem paralisar as atividades hoje, mas ninguém soube informar se algum departamento manterá o atendimento ao público. O setor de benefícios deve parar.

Luiz Fernando da Silva, da Adunesp - que é uma seção da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes) -, diz que a greve se inicia hoje, mas que em agosto deverá haver continuidade de movimentos de protesto entre professores universitários das redes públicas estaduais.

“A partir de hoje (amanhã), 60 câmpi de unidades universitárias espalhadas pelo País ligadas à Andes paralisarão a maioria de suas atividades a partir desta terça-feira. As universidades estaduais seguirão o movimento a partir de agosto. O objetivo central é se contrapor a uma proposta que criará uma situação de precarização ainda maior dos serviços públicos”, observa Silva.

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Desencanto

Depois da marcha para Brasília (DF) realizada no dia 11 de junho, que também uniu entidades para protestar contra a reforma da Previdência, a greve geral dos servidores públicos hoje é o primeito grande ato de paralisação que será enfrentado pelo governo federal.

Para a cientista política Maria Teresa Miceli Kerbauy, o que motivou o movimento desta terça-feira foi o “desencanto” do funcionalismo público com o atual governo.

“Pelo fato do governo PT ter uma história de ligação com movimentos sindicais e de luta pelos direitos dos trabalhadores, os funcionários públicos achavam que a proposta seria menos rigorosa em relação à categoria. Quando ela foi divulgada, eles se desencantaram com o governo”, avalia.

Segundo ela, os servidores acreditavam que o governo federal seria mais aberto ao diálogo para discutir o assunto. “Realmente, o funcionalismo não é o grande responsável pelo rombo da Previdência, e a proposta de reforma assustou a categoria. Agora, o governo terá que enfrentar momentos bastante delicados.”

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