Polícia

Cão farejador será usado em escola

Por Rita de Cássia Cornélio | Colaborou Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Dois cães do Canil da Polícia Militar (PM) de Bauru estão na fase final de treinamento para serem usados em um trabalho inédito de prevenção a drogas nas escolas estaduais da cidade. Sandy e Isac são cachorros farejadores capazes de localizar maconha, cocaína e crack que estejam no interior da mochila dos estudantes. A escola escolhida para iniciar o trabalho experimental foi a Azarias Leite, localizada no Jardim Carolina.

A proposta da PM é levar os cães para dentro da escola. “Os alunos vão se retirar da sala de aula, com autorização da diretoria. Nós entramos com o cão. Se o cachorro farejar algo, nós chamamos a diretora e o dono da mochila. A direção da escola vai presenciar o aluno abrindo a mochila e mostrando o que tem em seu interior”, explica o sargento José Carlos de Souza, comandante do Canil da PM.

Ele garante que o policiamento antidrogas não constrangirá os alunos, mas o dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, afirma que o policial com o cão farejador vai atuar apenas no entorno da escola. “O policial com o cachorro só vai entrar na escola se houver suspeita que algum aluno esteja com droga. A repressão dentro da escola poderia ter implicações com o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente), que está completando 13 anos”, frisa.

O início das atividades dos cães na escola está previsto para agosto, após as férias do meio do ano. O comandante do Canil da PM de Bauru frisa que a escola Azarias Leite foi escolhida pela sua localização. “A escola está localizada entre o Jardim Redentor e o Núcleo Geisel, ambos populosos e com suspeitas de tráfico pequenos de drogas. O público-alvo dos traficantes são os jovens”, declara.

A diretora da escola Azarias Leite, Paula Medeiros Prado Silvestrini, diz que o tráfico preocupa muito. “Vamos envolver os pais dos alunos e a comunidade. Temos informações de que nessa área da cidade há tráfico e isso nos preocupa muito, por isso estamos fazendo a parceria com a PM”, explica Paula.

O dirigente regional de Ensino confirma a preocupação com o tráfico na escola Azarias Leite, ressaltando que é uma unidade de difícil implantação de projetos. “Através de observações constatamos que é uma escola com mais problemas que as outras. Mas o que mais nos preocupa é o tráfico. Achamos que há pessoas que ficam nas proximidades da escola, devido à concentração de crianças e adolescentes, para vender drogas. A nossa intenção com o policiamento com cães farejadores é coibir essa prática”, frisa Vieira.

O sargento José Carlos de Souza afirma que o policiamento antidrogas nas escolas com está sendo feito na grande São Paulo. “Os resultados são bastante positivos. No Interior paulista esta será a primeira escola a ter esse trabalho. Eu participei de um curso em São Paulo para poder implantar o projeto”, conta.

O contato do animal com os estudantes pode significar uma ligação entre a polícia e o público-alvo das drogas, prevê o major Pedro Batista Lamoso, comandante operacional do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4ºBPMI). “Queremos essa aproximação para conquistar a confiança dos jovens e, com isso, livrá-los do traficante”, explica.

Segundo o major, a prevenção ainda é o melhor caminho para os jovens. “Temos outros programas voltados a esse público. A PM, através da 4ª Companhia, que é responsável pelo Canil, pretende levar os cães farejadores para outras escolas. Inicialmente, o policiamento antidrogas com os cães será feito na escola Azarias Leite”, diz Lamoso.

De acordo com a diretora da escola, outras parcerias já foram feitas com a polícia. “Contamos com o Proerd (Programa de Educação e Resistência às Drogas) e com o JCC (Jovens Construindo a Cidadania). Acho interessante porque é através desse trabalho preventivo que os jovens podem trilhar caminhos mais adequados”, frisa.

O dirigente regional de Ensino frisa que a escola enfrenta problemas. “Recentemente, as barras de cobre do pára-raios que estava sendo instalado na escola foram furtadas. Os funcionários pararam o serviço para almoçar e quando voltaram as barras, que já estavam enterradas, haviam desaparecido. Os alunos disseram que não viram nada. Por esse fato percebemos que houve ajuda para encobrir o furto”, diz.

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Adestramento

Sandy é uma cachorra da raça springer spainel com faro apurado para maconha, explica o sargento José Carlos de Souza, comandante do Canil da PM. “Nosso adestramento é através de brinquedos. Não maltratamos e nem viciamos os cães. Eles aprendem brincando. Por questões de segurança, não podemos revelar a forma usada para adestrá-los a encontrar drogas. Para este tipo de trabalho, os animais são condicionados a cheirar”, diz.

Isac é um cão da raça labrador especializado em encontrar cocaína e crack. Arteiro por natureza, o cão encontra com facilidade a droga escondida em uma mochila, quando procura o seu brinquedo predileto.

O Canil da PM possui 18 animais, cada um deles especializado em um tipo de serviço. Quatro deles são farejadores, ressalta o sargento Souza. “Para operações de choque ou busca em mata, por exemplo, usamos o pastor alemão e o rottweiller”, conta.

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