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Inverno malvado...


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Tradicionalmente, no decurso do inverno as pessoas sempre sorriem menos que na caminhada das outras estações do ano. As crianças como que se encolhem, pouco sorrindo para papai, mamãe, irmãos e amigos, enquanto os jovens diminuem seus sorrisos para com as queridas namoradas e os queridos namorados, assim como os cônjuges quase não se abrem naturalmente entre um e outro beijo. E, então, há razões de sobejo para se investigar sobre o motivo pelo qual isso acontece, com os lábios quase não se movimentando entre as pessoas. Mas, seria o frio, unicamente, culpado por essa retratação do bonito contorno da boca que, quando se expande alegremente muda a fisionomia de todos, mostrando-se fascinante e até poderosa, destruindo o mau humor que possa existir em uns e outros? A medicina responde que sim, explicando que a estação, que não é de trem ou metrô e, sim, de locomotivas da natureza, é realmente culpada porque rotineiramente provoca doenças que afetam a garganta dos seres de quaisquer sexos e idades, como as conhecidas amidalites, as quais surgem repentinamente no cenário e, então, se tornam inibidoras do sorriso, tornando-se antagonistas viscerais da alegria e da fraternidade humanas. Explica-se: as baixas temperaturas, que nada perdoam, envolvem as amídalas de quantos a elas se expõem e provocam as tais inflamações, causadas por bactérias dentre as quais as mais comuns são os estafilococos (germes agrupados em forma de cachos de uvas) e, principalmente, os estreptococos (bactérias dispostas em forma de colar). Alguns vírus podem afetar as amídalas (massas esponjosas de cor rosada e forma oval, situadas atrás da língua, uma de cada lado, na abertura da faringe). São integrantes de um sistema de defesa do organismo contra germes que penetrem pela boca e nariz. E é exatamente a amidalite a maior inimiga do sorriso, pois que o elimina totalmente ao dificultar as contrações que o produzem nos lábios das meninas e dos adultos, de cujos rostos apagam consequentemente quaisquer manifestações de alegria e amizade. É de ter-se, portanto, na maldosa inflamação, o principal fator de ser o mundo, na louca tramitação do inverno, acidentalmente tristonho e retraído, o que é diagnosticado pelos médicos e não por decretos-leis dos homens, tentando contornar a melancolia que se abate sobre as populações atingidas por uma colmeia de problemas sociais e de saúde profundamente infernais. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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