Lençóis Paulista - O motorista Paulo Eduardo da Silva, 27 anos, foi preso pela Polícia Civil de Lençóis Paulista (43 quilômetros a Sudeste de Bauru) depois de ser reconhecido como um dos supostos autores de vários roubos de caminhões na zona rural de Areiópolis.
De acordo com a denúncia, ele e outras pessoas tinham como estratégia abordar caminhoneiros em uma estrada de terra, que serve como desvio do pedágio de Areiópolis, no km 285 da rodovia Marechal Rondon.
A estrada, além de ser cheia de buracos, é estreita e cercada por plantações de cana, o que dificulta qualquer tentativa de fuga. Por essa razão, bandidos vêem no local um ponto fácil para armadilhas.
Diariamente, passam pela estrada centenas de caminhões. O motivo é apenas um: fugir da taxa de pedágio. O valor varia de acordo com a quantidade de eixos que tem o veículo. Em Areiópolis, o valor de cada eixo é de R$ 5,80.
De acordo com a Polícia Civil de Lençóis, Silva foi reconhecido por três vítimas. Por isso está preso.
Por ter supostamente se envolvido em roubo de trator na região de Agudos, Silva teve sua foto colocada no álbum da polícia. Quando as vítimas foram prestar queixa do roubo do caminhões, elas viram o álbum e reconheceram Silva como sendo um dos autores do crime.
O suspeito foi intimado a comparecer à Delegacia de Polícia, em Lençóis. Silva chegou acompanhado de seu advogado, mas mesmo assim ficou detido. As vítimas também foram chamadas à delegacia e fizeram o reconhecimento formal do suspeito.
De posse de um mandado de prisão temporária, o delegado Luiz Cláudio Massa encaminhou Silva para a Cadeia Pública de Agudos. O prazo legal para prisão temporária é de cinco dias. Ou seja, o prazo vence hoje.
Até o início da noite de ontem, Massa ainda não havia conseguido a prisão preventiva do suspeito. Desta forma, Silva pode ser colocado em liberdade amanhã.
Madrugada
O horário utilizado pelos acusados para o roubo de caminhões, segundo informou a Polícia Civil, era de madrugada. Depois de abordar os motoristas, segundo a polícia, os assaltantes amarravam a vítima e deixavam-na imóvel no meio do canavial.
Entre as vítimas estavam caminhoneiros de Arealva, Agudos e Guararapes. Todos proprietários de caminhões com carrocerias abertas.
De acordo com a polícia, os roubos foram praticados nos meses de abril, maio e junho deste ano. Silva nega ter participado de qualquer um deles.
A Polícia Civil informou que continua investigando a participação de outras pessoas nos assaltos em Areiópolis. O Código Penal prevê pena de três a oito anos de reclusão para o crime de roubo.
____________________
Protesto
A estrada de terra que serve como desvio para o pedágio da Marechal Rondon, em Areiópolis, já foi motivo de muita discussão e revolta de parte dos moradores da cidade, principalmente do Jardim Carina.
Em agosto do ano passado, eles fecharam a rua usada pelos caminhoneiros, como forma de protesto.
Eles reivindicavam a proibição do tráfego de caminhões no trecho do desvio que passa pelo bairro. Na opinião dos moradores, o tráfego intenso e pesado coloca em risco a vida da população local, principalmente das crianças.
Ao lado da avenida Santa Cruz, utilizada como desvio, funciona uma escola de ensino fundamental. Todas as tardes, centenas de crianças tomam conta da avenida e disputam espaço com os caminhões.
Apesar do nome, a avenida Santa Cruz não é exatamente uma avenida, mas uma rua simples.
Para agravar ainda mais o desespero dos moradores, a rua não é asfaltada. Não bastasse o perigo, em razão do tráfego intenso de caminhões, eles são obrigados a conviver com a poeira.
Em uma época seca, como a atual, é normal que os veículos levantem verdadeiras nuvens de poeira, causando assim problemas respiratórios em alguns moradores.
Ao todo, o desvio possui cerca de 18 quilômetros de extensão.